Meu mundo em exposição. Manifestações consciente do inconsciente.
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
Dois à beira

 

Falo em tua boca um nome

sujo trêmulo proibido

que ressoa em teu corpo lago

como pedra que se atira

em espelho d’água

 

À margem do teu desejo

brinco animal puro

mergulho fundo

e solto meu cardume

na liberdade dos corpos

 


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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011
Manoel de Barros

 

Quando se lê Manuel, gente se árvore

chega  brotar passarinho

na cuca

e caramujo

na alma

 

Trilha aberta na mata por palavra

pra ouvir o silêncio da pedra

 

Deita grama no verde

pra ver céu

riscado brilhoso

de lesma

 

Um rio que passa atrás dos olhos

 

Manoel é de barros

eu sou menos

sou de asfaltos

 

 

 


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Sábado, 17 de Dezembro de 2011
Vila das Belezas

 

De cada lado um monte:

cada casa uma janela

cada janela uma visão

cada visão um horizonte

cada horizonte uma ilusão

 

Nas cores dos varais

a ilusão escala

em notas musicais


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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011
Compostagem

 

Na cidade de metais

forjados

um bebê dorme

no olho do furacão

a espera do dia que nunca

nasce



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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011
Solitude

 

Bom quando acordo e te celebro

num bocejo longo

 

Um livro com página marcada

acima da pilha de músicas

espera

estante

 

Ruídos rompem a impressão:

talvez uma máquina que passa lá no longe

uma voz intrusa que voa além muro

um ou outro animal qualquer que se manifesta

mas é ao silêncio

denso e caloroso silêncio

a quem entrego toda a minha atenção

 

Atenção que rápido se dissolve

nos olhos fechados

e morre sobre a cama

num cochilar do corpo ermo

 

Sucessões de imagens se revezam

correndo pelos sentidos fatigados

de mundo

 

Nada à minha volta dizendo

as horas

ou qualquer outra obrigação

de balcão

clerical

 

A solidão preenche toda a existência

fazendo dos deuses meros humanos

um bando de inúteis


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Domingo, 4 de Dezembro de 2011
Sócrates

 

Filósofo com os pés

reinventou o calcanhar

 

Na bola-de-aço da ditadura

deu uma direta já

que foi na forquilha do arqueiro verde

e venceu o calcanhar-de-aquiles

com a democracia

 

Os pré-socráticos o admiraram

os socráticos o comemoraram

e os pós-socráticos que o sigam

não é todo século

que nasce um craque

nos vários campos brasileiros

 

Em memória... (1954-2011)



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Sábado, 3 de Dezembro de 2011
Retratos da natureza

 

I

 

O vento maternal

penteia

os cabelos

da árvore menina

 

 

II

 

O Beija-flor

lambe o íntimo

da flor

no jardim

 

E o Sol que passeia

incandescente

tapa os olhos da

pequena Terra

 

 

III

 

O vento corre verde

na grama úmida

e se deita

à margem do tempo

 

 

IV

 

Chove na fauna em fúria

enquanto o caramujo

ri no sofá


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Celeste

 

Minha felicidade mora

entre tuas pernas

compasso aberto que circunda

a lua em delírio

 

Constelação em gozo

de gâmetas cometas

que cruzam teu universo

em contração

 


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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011
Canibalismo capital

 

A mulher-homem

devora entre as engrenagens

o macho-alpha

que delira na dúvida

enquanto as crias

embriagadas no chiqueiro

criam asas de anjo

decaído

 

Na selva dos símbolos

pagãos

crias, caças e caçadores

confundem-se

e todos morrem

famintos

 


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Domingo, 27 de Novembro de 2011
Espera

 

O nome de um morto na placa dá nome à praça

enquanto espero de costas

para o mundo

 

Afinada a garoa soa como orvalho noturno

em meus cabelos serenos

enquanto a multidão passa

como um rio de vontades frustradas

que segue para lugares

aonde o mar não está

 

A sinfonia das coisas

embala o berço dos pedintes

vigiados pela dó

pelas pombas sujas

pela coerção

 

A mesmice das cores se espalha

pelos becos dos olhos

e não te enxergo na imensidão

da cidade difusa

 

Por onde você anda...?


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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011
Sobre o amor

 

“O amor é fogo que arde sem se ver...”

disse o poeta

que não terminou de dizer:

que o amor é fogo que nasce sem se ver

que o amor é fogo que se espalha sem se ver

que o amor é fogo que queima sem se ver

que o amor é fogo que abranda sem se ver

que o amor é fogo que se apaga sem se ver...

 

Quando se vê

o amor que era fogo

agora é só cinzas...

 


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Patriotismo

 

Por que deita-se em tantas camas

e a mim se mostra tão hostil?

 

De quem te explora, é eterna mucama

e ainda canta “longe vá temor servil”

 

Eu que levo a bandeira com flama

sucumbo a vontade do covil

 

Tem que mudar esse panorama

porque ser patriota no Brasil

é amar a quem não te ama


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Anunciação

 

No céu de São Paulo

nuvens chumbo prenunciam

a queda

que arrasta tudo alaga:

esgotos gastos

coletivos esgotados

casas ocas poços

restos fossas pastos

fossos poças

paços largos

logradouros

lugares comuns

 

Lago imenso lodo

onde Tristeza e Tragédia nadam nuas

sincronizadas

entre ratos-golfinhos

dejetos restos

e rostos

 

O trovão grita

rasga o ar:

Corre! A água é suja

imunda inunda

tua hora vai chegar

 

A sinfonia continua

no mesmo (des)compasso

até que a última gota

caia

 

 


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Domingo, 20 de Novembro de 2011
Poesia canalha

 

Fiz uma poesia

escrevi-a num bilhete

vermelho amor

plantei-o num ramalhete

de flor

Ficou bonito

o presente

que teve um único intuito

latente:

usar o meu cacete!

 


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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011
MundoMundano e o seu novo mundo

 

Está à venda o 2º livro do MundoMundano. Nessa edição foram publicados dois textos meus!

 

Compre-o!

 Clique aqui e saiba como adquiri-lo.

 


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Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
Poesia prum dia chuvoso

 

Lá fora

na depressão da rua

só a chuva

fraca fina esfria

Relento

 

Aqui dentro

a solidão

afia a faca fria

na alma fraca

Que logo abra

o tempo

 

A subida do sol

é íngreme

saída

Contento

 


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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011
Aleatórios III

 

Norma escreve regras

linha a linha

é exigente

 

Mesquinha

vai morrer sozinha!

 

-----

 

Entre a sorte

e a morte

a contagem é curta:

cinco letras

 

-----

 

O trem está de passagem

pra correr viagem

precisa só de uma linha

 

-----

 

Sistema

de gestão

tema

indigestão

 

-----

 

O trem no trilho

não perde horário

usuário


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Terça-feira, 1 de Novembro de 2011
Finados

 

No Dia de Finados

os homenageados

permaneceram deitados


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aleatórios II

 

Cândida quer um

homem cândido

Ninguém se candidata

 

-----

 

Depois de amar

há um elo

Amarelo

 

-----

 

Ver o sorriso no olhar

é o mesmo que estar

em frente ao mar

 


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Domingo, 30 de Outubro de 2011
Men(tira)

 

Para quem

mente

verdade

não é

vertente


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Sábado, 29 de Outubro de 2011
Sexo Vs. Sentimento

 

Parabéns a quem difere:

vontade de fera

de

vontade que fere

 


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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011
Prato frio

 

A ferida fere fundo

o ferido

até que ferrenho

o ferido

fira fundo a fera

que o feriu!



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Terça-feira, 25 de Outubro de 2011
2º livro do MundoMundano

 

MundoMundano se prepara para lançar seu segundo livro de contos, crônicas, poesias e afins, e eu tenho a honra e felicidade participar dessa segunda edição.

 

Todos estão convidados para a festa de lançamento.


 


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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011
Brincadeira

 

Arregalo meus olhos

para ver os teus fecharem

e abro minha boca

para calá-la na tua

 

Despidos de ser

num atrito carnal e primitivo

voltamos a algum tipo de origem

 

Duas crianças que brincam

e constroem um corpo

massa de modelar


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Sábado, 22 de Outubro de 2011
Fiel

 

Um Pastor de pé

Um fiel de joelhos

Um cristo na cruz

 

Credo


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Sobvive

 

Um barraco

pegou fogo

muitos morreram

 

Só a

Miséria

continua viva



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Propriedade e produto

 

Nas esquinas da minha pátria

camelôs vendem

o dropes da amargura

por uma módica quantia:

a vida

 

O doce

produto

que se dissolve

na boca

limitasse a

um fechar de olhos

um pacote a prestação

um auto

um instante

 

E o sabor

extra-forte

da bala

não abala

a estrutura

 

Adquirir a própria vida

custa

(meu) caro

 


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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011
Furtado

 

O inconsciente furtou

um objeto

da estante

 

Sou grato

 

A noite sem cógnitos

é branda

talvez eu

até

durma

 

 


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Sábado, 15 de Outubro de 2011
Haicai III

 

Sobre a fofoca:


VII

 

Fofoca voa

de boca para boca

até engasgar

 

VIII

 

falar e falar

falar só por falar e

morrer pelo bico

 

IX

 

Língua de cobra

que não para na toca

o gato come 

 


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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011
Orbitas

 

Exibida e brilhosa

Foi o brilho úmido

rosa

dos teus lábios

que me fez colocar

teu nome na lua

 

Como um cometa incandescente

passou e deixou

dentro de mim um universo

escuro

vazio

infinito

 

Os astros se revezam

no tempo

para um dia, quem sabe

se alinharem novamente


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Terça-feira, 11 de Outubro de 2011
Registro

 

Um sotaque guarda uma lembrança

que voa, como o cantar de um passarinho...

 

Em chão pavimentado

não se planta semente

porque nada natural pode nascer ali

 

Toda lembrança guarda uma morte

e a morte vive num tempo que não volta

 

Nunca mais seremos crianças


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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011
Ópio

 

Bebo para ver o mundo

pelo fundo

do copo

 

Telescópio

 


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Guerras

 

Se minhas guerras

sou eu quem as crio

por que não as venço?

 

Talvez porque as armas

da qual preciso

nunca as penso

 

Entrincheirado e atento

avanço mais um linha

inimiga

que invento

 

Minha

guerra nunca terá

(um) fim


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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011
Durâmen

 

I

 

A seca é um lago seco na alma

Na terra dura brota palma

Planta que o gado não come

e morre. Só, vive o homem

 

II

 

O cheiro de seca me imprimiu um desejo:

mesmo de frente para o mar

não é o mar que vejo:

vejo a seca indo embora

logo pela aurora

no canto do galo

num abrir de flor

 


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Sábado, 1 de Outubro de 2011
Por entre as estrelas

 

Num barco sem velas, sem norte

só com o desejo, navego a deriva

sem sorte, guiado pelas estrelas

leitosas ladies da noite

 

Amar moroso no mar revolto

a correnteza me arrasta à areia

a água está viva entre as fendas

frestas e pedras, carne

 

Vênus brilha e baila

suores salinos misturam-se

As Três Marias sacrificam astros menores

bacantes rasgam o céu e bebem seu sangue azul

meu corpo flutua entre espumas

pelas mãos dos mitos é oferecido

e entregue às sereias e aos signos

que ao nascer do sol se deitam

em meu peito

 

Anoitece novamente

e os sinais dos rituais resplandecem

na imagem do Cruzeiro

ao sul de nossos pensamentos 

 


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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011
Odores fluídos sabores

 

O cheiro doce e úmido da pele tua

nua que espera o toque quente

rente e íntimo que aumenta o ritmo

num átimo, do corpo, da pulsação

 

Fricção animal sobre a cama

dama da sociedade que revira puta

luta com o macho pelo prazer

fazê-lo acontecer no quarto

 

O ato final do filme, o gozo

no fosso dilatado e úmido

unido ao falo agora contraído

caído, satisfeito, em paz

 

Jazem os amantes na oca oca

e as bocas dividem num ataque

o acre gosto contido

nos fluídos, no que sobrou de nós


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Sábado, 17 de Setembro de 2011
Haicai II

 

IV

 

Nada tenho nessa

Nem terei na que virá

O jeito é viver

 

V

 

O rio corre

Nado contra a correnteza

Rio do rio

 

VI

 

O coração bate

O corpo corre atrás  

A alma voa

 


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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011
Barulho dos Inocentes

 

Rebeldia Punk

grito suburbano

 

A cidade não pára

ambiente desumano

 

Ao que me parece

o pânico prevalece em SP

onde anoitece e aparece

a face de deus na rotina

da pátria amada

do desequilíbrio

 

Devoro estilhaços calado

o expresso oriente descarrila

Eu ignorado, faminto

um ninguém em chamas

sem medo de morrer, sem valor

 

Inimigo, homem negro

que bebe demais, sujo

estranho de sangue ruim

um verme, resto de nada

 

Que tem nojo

que aprendeu a odiar

um homem em fúria

sem nada a perder

pesadelo contra o mal

 

A noite dome lá fora

amanha será tarde demais

 

Só a raiva vai nos salvar!

 



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Tempo trama término

 

O tempo traça um traço que me traça

destroça, tritura, trinca a trindade

e a traça atroz trucida tênue a trama

que tramo trêmulo: trilha até a taça

 

Torço tenaz ao tom tonante do astre

teimo em tentar tocar o troféu

Atento ao termino, tento tudo

trato truncado o atrito tribal

intentos sem trégua, sem ternura

 

Atrativo é a tentativa de triunfo

Tolo, torto na trincheira

me entrego...

 

O tempo eterno ostenta a vitória

e troça deu troço, trouxa

Termino triste...

atrato na tumba  

 


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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011
Tapa na cara

 

Um milhão virou troco de bala

parece que nada abala a nação

que vê sua plantação encher a mala

da galinha que, de milhão em milhão

não se engasga, papa um bilhão!

 

Descaso pleno no plenário

da câmara que perdoou a ladra

que ladrou: “todos aqui são como eu!”

deputados, fariseu por fariseu

todos de rabo preso, pelo voto secreto

garantido imoralmente por decreto

a ave de rapina absolveu

 

Um horror que nos diz:

é culpada, é!

E chora, a atriz

afia a navalha

degola o país

ganha a batalha

sorri, a meretriz

invencível, Jaqueline Roriz

 

Será que um dia isso pára?

Corrupção, mensalão, absolvição

acho que já se acostumou a nação

a tomar tapa na cara

e ficar quieta, olhando pela televisão...

 

(E agora, José?)

 

 

 

 



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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2011
Pesar

 

Um pé com

um pé sem

 

Um pé sim

um pé nem

 

Um pé de cada lado

um pecado

 


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Sábado, 27 de Agosto de 2011
Vulva

 

Vitória

virgem viva

ventre

veludo

 

Vulva vadia

vagina valente

veemente volumosa

viscosa voraz

vital

 

Vaca vulgar

víbora volúvel

vodka vagabunda

valsa vã

varão vassalo

vilã viciada

 

Vênus

verão vivo

vale verde

vista vasta

viagem voluptuosa

 

Vinho velho

verso

valor

 

Vida


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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011
Puta que partiu

 

A noite se abria no movimento de suas pernas 

grossas pecaminosas infinitas

e o brilho morto das estrelas

emolduravam teu corpo lascivo e jovem

 

Que saudades que tenho da minha puta

 

Suas mãos corriam até mergulharem

lábios seios sexo

que me exibia liso e rosa carne

querendo quente pulsando

expulsando todo o frio e a derrota

 

Que saudades que tenho da minha puta

 

Suas coxas apertavam e espremiam

o gozo

que sobrava em seus olhos

que me mostrava entre os dedos

que lambia satisfeita

que alimentava o pouco que éramos

 

Que saudades que tenho da minha puta

 

Que sonora gemia fêmea

que linda contorcia-se fêmea

que satisfeita ofegava fêmea

e enchia meus escravos ouvidos

com sons úmidos de fêmea

 

Que saudades que tenho da minha puta

 

Era um mundo construído

e constituído de vontades animalescas

que faziam meu sangue pele correr

percorrer pelos meus rios e mares

até alagar o deserto e o homem que sou

 

Que saudades que tenho da minha puta

 

Mas no ordinário passar dos dias

nosso jogo não teve mais vitórias

monótonos sucumbimos ao banal

e derrotados

desistimos do poder lúdico

que proporcionávamos aos nossos restos

 

O solitário e sujo tempo venceu

 

Que saudades que tenho da minha puta

que partiu...


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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011
Pêlos

 

Entre panos e apelos

pedidos e peles

peço em teus lábios abios

desejo entre pêlos e entro

 

Dentro desnudo

mudo quente mundo

rente profundo querer

 

Crer que posso tê-lo

esparramo em teu pêlo

novelo

meu prazer

 


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A família morta

 

A papa pronta no pote prático

O prato alvo no armário

O fogo e o fósforo já não se tocam mais

A geladeira gela conservantes

 

Mamãe está morta

pede silêncio

e tem pressa

 

O chão espelho

A diarista eterna

O bicho-enfeite

Crias em suas obrigações

 

Papai foi enforcado

e balança feliz

acima da multidão

 

Os carros

As paredes

A tecnologia

As portas fechadas

 

A família morta

vive

feliz

na imensidão da aparência


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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011
Parecer

 

Pare

ser de

parecer

 

Seja já



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Quarta-feira, 27 de Julho de 2011
Sorver

 

Sinto que sinto

ódio

algo que não semeio

 

Meu pensamento norteio:

quanto desse ódio

é veneno alheio?


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Terça-feira, 19 de Julho de 2011
Sopé

 

Falo de pé

ao pé do ouvido

 

Pelos em pé

Aos teus pés

Troco pés pelas mãos

 

Pede mais

pedante

 

Meu amor em pé de guerra

armado com busca-pé

peleja

pela pele já

 

 


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Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
Amor em três atos

 

Mágico

 

Bonito

infinito

 

Trágico



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Domingo, 10 de Julho de 2011
Noturnos

 

Na pulsação dos sons

no sangue que se espalha por veias de luzes

minha vida corre

entre teus movimentos e

deságua

em teus beijos de nicotina


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Publicado por Mundo ID às 18:22
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Domingo, 3 de Julho de 2011
Fêmea efêmera

 

Nada daquilo era

e o que foi, era não

O anjo que pousou

em minha cabeceira

voou...

fêmea efêmera

não passou de ilusão

 

Bobeira

por mais que pernoite

(amor perdura

manhã na moldura)

todo sonho dura uma noite

 


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Publicado por Mundo ID às 16:43
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Algo que me persegue

 

Assim

no chão

a sombra

a me seguir

 

Assombração

 

As sombras são

assim

a me seguir

como um cão

 

No chão

No inconsciente


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Maria, Maria...

 

À Betânia

 

Maria, Maria
o que ela queria
eu já sabia
que era só dinheiro
pra dizer poesia.

 

A alma fria
não vale um verso
quem diria
de todo universo
logo você
Maria...


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Publicado por Mundo ID às 16:14
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Ato I (amor fluido)

 

Eu falo

em tua boca:

degole!

 

De gole em gole

engole

nosso mundo



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Publicado por Mundo ID às 02:25
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Sábado, 25 de Junho de 2011
Heureca

 

Uma centelha

acende

e a mente

ascende

 

Uma fagulha

e a agulha

no palheiro

aparece

 

Parece

que não há prece

que a aprece

 

A idéia latente

fecunda, desprende

inunda fremente

o papel

o espaço

o tempo


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Publicado por Mundo ID às 00:47
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Sexta-feira, 24 de Junho de 2011
Delito

 

O tempo todo

desejo

beijo beijo beijo

mordo

motejo

 

depois

fodo fodo fodo

gozo

festejo

 

O amor morto

descansa em meu peito

feito

do jeito

que o diabo gosta


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Publicado por Mundo ID às 13:50
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Corpus

 

Sexta cinza

cinza feita de cinzas

Corpus christi

 

A chama

queima

vela

derrete

deita sobre a tumba

 

A procissão anda

ora sim

ora não

 

São João solta

fogos

acende

a fogueira

 

Cristo desce

da cruz

canta

cantigas de roda

 

As almas celebram

o não ser mais


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Publicado por Mundo ID às 13:43
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2011
Matéria-prima

 

A palavra é corpo

todo resto é prótese

 

A matéria-prima escorre entre os dedos

enquanto a rotina pisa as uvas

que formam o vinho da dúvida

 

"Se pudesse faria Tudo de novo..."

mas... para que

refazer o que já foi feito?

 

O Tudo é tão grande

que não abrigada nada dentro

 

A covardia mora atrás da felicidade

decantada na afirmação

repetida pelas gerações

 

O tempo não dá trégua

tece a trama

tempera o trópico

tange o tango

tonteia o touro

tapa a tumba

 

e eu

tento

transo

teimo

tropeço

termino

 

O tempo

matéria-prima de tudo

escorre por entre as idéias

corre alazão

enquanto escrevo


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Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
Trindade

 

De que me serve esse amontoado de carne, se sou apenas alma que caminha no tempo atrás de um

                    [negócio que chamam de evolução?

 

Sou ferro forjado a força em fogo negligente

Meu sangue corre contra o Sol

Rico de minerais, não dissolve pelos esgotos

não esgota pela orla

e enche de sal a imensidão azul cadáver que chamam de mar

(o desgosto do mar é ter o gosto que tenho na pele)

 

A escuridão é feita de medo e mito

Como detesto todos eles

 

Vai Lua, corre logo pelo céu

some

percorre toda essa idiotice infinita e sem sentido

 

A Noite não me interessa mais

cansei de disputar espaço com outros derrotados

bichos trôpegos que perambulam bebem cantam e...

Quero que definhem a sós, sob a poesia manjada e gasta que o luar inventa e projeta em coisas breves

 

Quero Dia

luz intensa e agonizante

que suporta a acidez da minha saliva lançada em forma de flecha-letra

chama que corta meus olhos com lucidez incomoda afiada e enferrujada

e racha a pele da minha boca seca pela não realização de pequenos desejos humanos

 

O animal quase morto que me habita, me mostra os dentes

rosna, urra ensurdecedor em meus ouvidos a dentro

assusta o pessimismo a coragem e aumenta o pânico de meu sistema nervoso e (a)cerebral

já cansado...

 

Diante do absurdo que é a Vida

a Morte é medíocre

e não me interessa

 

Regurgito o que acredito ser bom

me acabo com a gula à flor-da-pele em banquetes de nostalgia e solidão

servidos em minhas vísceras pulsando fomes

enquanto passeio pela sombra das pedras erguidas em nome do capital

 

O capital é uma forca que acaricia meu pescoço bobo sedento de amanhãs

das manhãs de procissões em que cada um é seu mártir

e a ladainha murmurada suplica o perdão dos vícios mundanos

Rezam da boca pra fora; sabem que o amém é um perigo iminente

 

A faca está no pulso

caminhando febril sobre a veia exposta aos urubus

esperando para ser a única coisa que é

ser faca

e fazer a única coisa que sabe

cortar

e executar súbito a pena capital

no capital

que fez de si seu próprio fim

 

Penaremos ou brindaremos à distância das tecnologias?

 

É mais fácil correr a infinidade do tempo que vem

do que dar um passo no minuto que passou

Nada é mais longe e presente do que a lembrança

 

Um amontoado de lembranças

é isso que a alma é

e  o corpo insuportável é o pára-raios que as suporta

 

Suporta para lembrar que somos trindade

corpo mente alma

(o corpo mente à mente

que mente à alma

e a alma não mente

ela sente

e divide esse sentir com o corpo

que mente à mente

que tudo está...)

 

Só estou porque penso peno e persisto

insisto em ser

e choro

porque é a única coisa que aprendemos de berço

 

A lágrima não é o choro

e o choro não é a tristeza

 

O choro é um soluço corporal

um tipo estranho de vômito

a tristeza é um prego que me mantém crucificado

e a lágrima é uma idiotice que se repete em poemas

 

O que escorre pelo rosto

é a indignação de estar ali

mergulhado

num lugar onde se detesta

até o pescoço

marcado pela forca

 

A inquisição começa a partir do momento em que eu Quero

e eu trindade

tento sobreviver a fogueira

que há ao pé da minha cruz

jogando minhas migalhas aos corvos

cantando músicas de cortejo

e expondo minhas intranqüilidades

em versos


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Publicado por Mundo ID às 21:04
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Sábado, 16 de Abril de 2011
Resgate

 

Um vagão sem trem

e vazio

 

Chão baldio

 

Fora dos trilhos

janelas abertas e esquecidas

sem horizonte

terminam no tempo

 

Só a arte salva

 



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Publicado por Mundo ID às 03:58
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