Meu mundo em exposição. Manifestações consciente do inconsciente.
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Lúgubre

Só em silêncio escuto
Do fundo vindo uma voz
Dizendo em tom de luto:
“A paz está morta dentro de nós”

 


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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Picho

O picho é um grito escrito num muro, por um cara que berrou no escuro da noite, na calada da cidade que, parcialmente morta, dorme.


Quem acorda do coma em meio à manada, passa em frente e o lê cravado disforme, escuta o apelo do coitado e mesmo sem vê-lo sabe que a paz não repousa e sim jaz em sua alma, que ousa dizer.


A cidade já sem calma à vida retoma, e olhar em sua volta ela se nega, pois há muito que fazer e não há tempo a perder, temos que correr porque aqui o bicho pega.


O picho foi visto, lido e esquecido... Virou lixo.

 


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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
O (des)Caso Uniban(do)

O corpo discente não achando decente
Para o ambiente o vestido ardente
Da adolescente atraente
Agiu bruscamente e brutalmente
Deixando a situação inconveniente
Incontrolável, caos aparente.
Antes que alguém a violente
Solicitaram a polícia: “por favor se apresente”
A diligência chegou rapidamente
Levando-a dali velozmente
“vamos sair, antes que alguém lhe arrebente.”


O corpo discente analisando o incidente
Achou melhor ser condescendente
Com a massa acrania e valente
Expulsando a menina apressadamente
Dizendo: “se vestes vulgarmente,
A culpa agora, você que agüente”


A Sra. imprensa, que não discute candidamente
E trata um assunto importante vãmente
Também tem culpa no ocorrente
Difundindo a notícia inadequadamente.


Nós da Universidade, apesar do antecedente
Somos um exemplo, falando moralmente
De instituição, e orgulhosamente
Tomamos a decisão, cuidadosamente
De expulsa-la, por se trajar visivelmente
Fora dos padrões, e estamos crentes
Que foi justa e tomada sabiamente
Porque buscamos um ensino, religiosamente
Correto, e agimos disciplinadamente
E temos que ser sempre complacentes

Pois quem tem que educar tanta gente
Sabe que a razão sempre será do cliente.

 


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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Mini contos

Estas são três tentativas de escrever mini-contos com, apenas, 140 caracteres. Todos foram postados no meu twitter.

 

I


Manhã sem dores. Fria. Ainda com sono, pos a mão sobre o peito. Desacostumado a sentir-se bem, não sorriu. Ergueu-se, triste, novamente.


II


Um quase nada. Partiu. Quem anda sem destino, não quer estar em lugar nenhum. Um vagar perigoso, a procura de si mesmo.


III


Ao acordar pensou: segunda é uma ilusão... Mesmo ar, mesmo Eu, mesmo tudo. Hoje é o dia que eu quero que seja: sábado. Virou-se e dormiu.

 

 

Sigam-me os bons! http://twitter.com/mundoid

 


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A Verdade

Eu sou a Verdade
Essa mentira me basta
Ninguém pode me contrariar


Pois o contrario de mim
Acredite, sou eu mesma
Todos podem me afirmar


Onipresente e imponente
Dita por todas as bocas
Escrita por todas as mãos


Quando me sente ausente
É porque aceitou desconte
Eu vinda de outro irmão


Não adianta querer me matar
Renovo-me a cada momento
Viajando nas curvas do vento
Sobreviver-irei, pelo eterno tempo


Construindo a realidade
Transformando o bem em maldade
E a maldade em beldade


Eu sou a Verdade, regente de tudo
Essa mentira me basta
Tragam-me pão e vinho na taça


Pois mais uma vez acabei de lida
Em versos sem muitas rimas
Mas sempre afirmada e reafirmada
E para a eternidade proferida


Pelo filósofo, pensador voraz
Pela bruxa que queima na fogueira
Pelo pastor que entoa a prece na praça
Pela noviça que jura castidade
Pelo plebeu escorraçado pelo patrão
Pelo burguês que cortou a cabeça do rei
Pelo cientista que diz e desdiz
Pelo ateu em estado pleno
Pelo poeta que sofre solitário
Pelo candidato que tem o futuro
Pelos casais que me juram


Eu sou a dona de tudo
Porque sou a Verdade
E essa mentira me basta!

 


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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Despedaço

Cada vez que dou um passo
E entro em outro espaço
Fico em descompasso


Recebo um rechaço
Pra lembrar que me desfaço
Dia a dia, passo a passo


Mas logo presto atenção no pedaço
Novo, rápido me amordaço
E novamente renovo o laço


Daí eu me disfarço
Brincalhão, palhaço
Acerto o compasso
Até outro desenlaço


E carrego meu corpo lasso
Entre glórias e fracassos
Casos e acasos
Pelo tempo, escasso


Para viver é isso que eu faço
Até o dia desengraço
Em que serei só bagaço
E para quem ficar, abraço!

 


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Marginal do verbo

Teimoso escrevo, marginal vadio
Um defensor do verbo, cão bravio
O poeta que não quer agradar a ninguém
Desagrada, não liga pro vintém
Pois sabe valor que a palavra tem!

 

 


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Olhar fecundo

Para um olhar fecundo

Em cada coisa

Há um novo mundo

 


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Domingo, 1 de Novembro de 2009
Vendo-me

Percorro as ruas paralelas
Do centro, procurando emprego
E me deparo com as donzelas
Que vendem o seu apego


Serei eu assim como elas?
Mesma história com outro enredo
Ou somos apenas sociais mazelas
Estigmas, frutos do desemprego?


De porta em porta, batendo
Sigo adiante, firme e atento
Vendendo minha força, meu corpo
Meu pensamento, meu sonho, meu tempo


Para alguém que há tempos
Deis dos tempos dos campos
Senhores de engenho, tiranos
Hoje, capitalistas vorazes, insanos
Para mim, sempre com algum plano


Vendo-me assim, sinto-me um coitado
Sonhador bobo, num mundo pré-programado
Sem opções, onde o certo é o errado
E tudo mais pode ser comprado


Essa indiferença humana me consome
E antes que piore e eu morra de fome
Coloco minha máscara, invento codinome
E carrego uma placa ao peito: Vendo-me


Quem quer me comprar?

 


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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Clamor

Quando alguém reclama
É porque a alma clama

Levante, grite, saia da cama!

 


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Felicidade clandestina

Felicidade, quanto tempo não há sinto
Nada mesmo, nem uma pequena
Guardo a tempo um fervor faminto
Ânsia extrema de senti-la plena


Pelo corpo, mazelas, muitas dores
Pensamento me alivia... Amores
Boas lembranças anteriores
Que ajudam, espantando os temores


Um dia por ai, em certa ocasião
Alguém amigo veio e me disse:
“É melhor ser feliz, do que ter razão!”
Minha alma aprendiz se aprendesse
No momento, talvez não sofresse


A razão iluminou todo o mundo
E criou nele um estado profundo
De obscura e densa depressão
Uma loucura coletiva de solidão


Lutamos sempre pela verdade
Mas no decorrer da nossa idade
Descobrimos que tudo na cidade
Não passa de uma tremenda ilusão


E que a verdade é uma mentira gostosa
Bem dita ao pé do ouvido, soa deliciosa
Menina manhosa... Dengosa... Melindrosa
Alivia nossa vida, que é dura e conflituosa


Não sei o que o futuro me destina
Então, independente se é de verdade
Ou não, quero sentir toda a felicidade
Possível, nem que seja ela clandestina

 

Felicidade...
Iceberg sem ponta, submerso sei lá onde
Boiando no fundo de algum mar
De adversidades.

 


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Domingo, 25 de Outubro de 2009
O Soldado

Cambaleante alvejado
Mais a frente cai o soldado
Ofegante, ensangüentado
Vendo a morte ao seu lado


Pensando, encurralado
“Só tenho a Deus como aliado”
O pobre rapaz, agoniado
Findou ali, deitado


Seu corpo, nunca encontrado
Deve ter sido amontoado
Junto com outros, e queimado
Ou apodreceu jogado


Seu enterro aconteceu
Mesmo sem o corpo teu
Honrarias, salvas, apogeu
Para o bravo que combateu


Depois o dia alvoreceu
E a história assim se deu
Do garoto que à guerra compareceu
E nunca soube por que morreu...
Só sua mãe não o esqueceu.

 


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Poema Escondido

Este poema que vem em seguida
Não é de minha autoria, escondido
Encontrei-o num livro de uma tia
O autor, talvez o seu marido
Pelos versos percorreria
Todo o amor que tem sentido


Mas e se não for ele o autor?
Talvez por isso esteja escondido
Será, essas palavras de louvor
De alguém desconhecido?


Bem... Isso não e problema meu
O que já passou, já aconteceu
O que é realmente importante
É que o poeta, nítido amante
Expressou o que sentia
Nesta linda poesia...

 


Tosca...


Não há existência alguma
Que não tenha amor; nenhuma!
Porque o amor é, em suma
Essência de todo o ser;


Há sempre quem nos atraia
Mil vezes que a onda caia
Há uma rocha, uma praia
Aonde a onda vai ter.

 

Encontrei esse poema num livro que peguei emprestado - Antologia. As mais belas poesisas brasileiras de amor. 3ª edição. Editôra Vecchi. Rio de Janeiro.

 


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Sábado, 24 de Outubro de 2009
Navegante

Desce o navegante
À terra firme, logo adiante
Cansado das viagens
Do mar, do barco, e da ida
Do barco no mar na volta
Pois descobriu que nessa vida
De muitas idas e vindas
O coração que o peito abriga
Que muito navega
Pouco aporta

 


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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
Marchinha

Mais uma marchinha para embalar os foliões bebaços dos próximos carnavais.

 

O cão ladrão

Letra: André Al

 

Voltando do açougue
Cai da bicicleta
Um cachorro magro
Comeu toda bisteca


Que azar que eu dei
Em frente da estação
A bisteca que eu comprei
Quem comeu foi outro cão!


Voltando do açougue...

 

Clique e leia as outras marchinhas.

 


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Sereia

Sentada à beira-mar, contempla a sereia:
O tempo que passa, o tempo que nos come
O tempo da graça, o tempo passado que some
De amores vividos, alguns doloridos
Felicidades clandestinas em castelos de areia


De tombo em tombo levanta audaz
De cabeça erguida, cada vez mais
Vivendo os momentos que a vida lhe trás
Mostrando ao mundo, admirado aprendiz
Como se faz o tempo feliz


Menina, mãe e sereia, vence a má maré cheia
Cuidando da cria, do lar e da alma
E enche os olhos dos que lhe rodeia
Pela bravura, pela ternura, pela centelha
Que brilha no olhar, no olhar de sereia


De corpo formoso e melodiosa
Delicada mulher de pele fogosa
Santa divina que a vida decanta
Sabe que chorar não adianta
Então canta sereia canta
Giganta, entoa esse canto
Que tanto me encanta...

 

 


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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Levante

Luto só, nunca de luto
Caboclo, mameluco ou cafuzo
Brasileiro no Brasil: intruso
Sempre arguto e resoluto


Político é corrupto, enquanto labuto
Mas um dia esse astuto, por enquanto soluto
Chorará pelo indulto e não fará mais usufruto
Do nosso tributo. Maldito dissoluto!


Chega de ser prostituto
A todos incuto, sejam ausculto
Sem tumulto e nem estulto
Nosso produto será dissolúvel
Em todo reduto em absoluto
Pois nosso perscruto será o percurso
Para o desfruto de nosso fruto

 


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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Cada parte

Cada dor dói uma parte
Cada parte que me arde
Cada ardor me reparte
Cada parte é uma aparte
Cada aparte é um alarde
Cada alarde é um embate
Cada embate é covarde
Mas antes que seja tarde
Ou que a vida me descarte
Me desafogo pela arte


Que esse desejo nunca me farte!

 


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Letras Dispersas

 

Para quem escreve, e não tem em mãos dicionários de rimas ou sinónimos a disposição, uma boca dica é o site Letras Dispersas, que os disponibilizam on-line.

Você também pode se cadastrar e publicar seus textos, ler e comentar outros de outros autores. Tem alguns meus por lá também, dêem uma olhada!


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Domingo, 18 de Outubro de 2009
Flor Morena

Como é linda a flor morena
Do jardim é a rainha
A mais bela das mocinhas
Se destaca entre centenas


Todos os dias rego-a com amor
Cuidando com louvor
Para que um dia essa flor
De corpo inteiro seja minha


Oh, Deus! Faça-me o favor
Tu és o Grande Criador
Me abençoe com o calor
Dessa doce moreninha


Sou rapaz modesto
Pelas súplicas lhe peço
Que proteja a menininha
De toda erva-daninha


Lhe farei uma novena
Pois pago qualquer pena
Da maior até a pequena
Só pra ter a flor morena...

 


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Sábado, 17 de Outubro de 2009
E assim foi feito (O princípio)

No início Deus criou
O céu e a terra
Essa imensa esfera
Que assim principiou


Mas não fez tudo de uma vez
O trabalho foi pensado
Quando decido, apressado
Em sete dias assim o fez:


No primeiro dia separou
A luz, intenso fulgor
Das trevas, eterno pavor


Fez o firmamento no segundo
Céu foi nome secundo
De azul cobriu o mundo


No terceiro foi plantar
Saiu na terra a espalhar
Todo o fruto, a germinar


No quarto, para encantar
Fez o Sol, para o dia esquentar
Lua e estrelas, para a noite iluminar


No quinto pos no rio e no mar
Todo peixe a nadar
E no céu, aves a voar


No sexto fez um pouco mais
Criou todos os animais
E para desfrutar dessa herança
Fez o homem, sua imagem e semelhança


Depois de tudo feito
Parou e observou
Achou tudo perfeito
E no sétimo descansou
(O que era de direito)

 


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De repente

Partida
Sem despedida
Vida Nova
Pela morte parida
Para Deus
Sem adeus

 


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Mito

Ai de endurecer sem perder a ternura

Ai de acreditar com fervor e bravura

Ai de agradecer o guerrilheiro linha dura

Ai de anoitecer e descansar a armadura

Ai de amanhecer a noite taciturna

Ai de alvorecer sem perder a brancura

Ai de prevalecer no povo à mistura

Ai de erradicar toda incultura

Ai de esquecer os métodos de tortura

Ai de morrer a idéia obscura

Ai de encontrar para os males a cura

Ai de nascer esplendor e fulgura

Ai de romper o silêncio e censura

Ai de falecer a maldita ditadura


 

Foto de Eric Neumann - Clique fotolog

 


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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
Solitários

Só, a noite
Vem, e só
De noite, eu também
Fico só, e à noite
Só também

 


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A carta

Na caixa de cartas, presa ao portão
Repousará esperança e emoção
Papel, caneta e saudade
Que a distância, por ocasião
Fez escrever amizade


Carrego a chave da portinhola
Como à de um cofre forte
Contido de ricas lembranças
De alguém que tentando a sorte
Saiu pelo mundo às andanças


O que estará nela escrito?
Todo o trajeto, e o acontecido?
De tanto esperar fico aflito
Imaginativo e aborrecido
Sem ainda saber o que nela foi dito


Rôo as unhas, sentado à espera
Sei que o tempo não acelera
Mas fazer o que? Se a ânsia
Não quer saber, ignora a distância


Apesar de toda minha paciência
E ansiedade, de nada adiantou
Pois nessa cidade, a diligência
Que vem do correio, que indecência
No meu portão passou e não parou


Não tem problema, deixa...
Apesar da minha queixa
Espero tranqüilo e de bem
Pois tenho certeza: logo ela vem!
Quem sabe, no próximo trem.

 


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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
Jingle - Sabão Ypê

Este é nosso primeiro trabalho em grupo (faculdade), um jingle feito para o Sabão Ypê.

 

Autores: André Alves, Fabio Martins, Hilde Alves, Janaina Pangella e Michel Carvalho.

 

Jingle Sabão Ypê (em ritmo de samba)

 

Pra sujeira acabar
Você já sabe o que fazer
Pra cuidar do seu lar
O Sabão é Ypê

 

Sabão bom
Sabão bom
Sabão bom é Ypê!

 

Sabão bom
Sabão bom
Sabão bom é Ypê!

 


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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Museu da Pessoa

 

O Museu da Pessoa foi fundado em 1991 com o intuito de construir uma rede internacional de histórias de vida capaz de contribuir para a mudança social. Esse museu é virtual e você também pode participar contando uma história de vida sua.


Algumas minhas foram publicadas, clique aqui e lei-as.

 


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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
Ser não é preciso

Meu corpo é a mortalha
Da divina alma que batalha
Tentando ser algo aprazível
No mundo real e invisível


Onde ser é para outro
E para si talvez o seja
Seja feita vossa vontade
Assim na terra como no céu
Assim na guerra como no mel
Assim na festa como no fel


Em pessoa lhe digo:


Navegar é preciso
Trabalhar é preciso
Olhar no relógio é preciso


Viver não é preciso
Tentar não é preciso
Nada humano é preciso


Ser ou não ser não será preciso nunca!

 


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Em teus lábios

Lábios úmidos, ardentes
Pele doce e quente
Cavidade oblonga, toma-me
Enrijecido, sinta-me
Enlouquecida, queira-me
Em movimentos
Cadenciados, em nomes
Sussurrados, em toques
Maliciosos beijos
Gananciosa vontade
De ti

 


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Domingo, 11 de Outubro de 2009
Salve o vagabundo!

Salve o vagabundo
Mestre da vadiagem
Ser não lhe pesa ao ombro
Ter não lhe faz falta
Crer não lhe pesa à alma


Do mundo oriundo
De homem travestido
De trapos vai vestido
Pelas ruas sem destino
Vai vivendo, clandestino


A calçada é sua cama
Sempre ali, alojado e jogado
E as pessoas ao trabalho
Passando sem remorso
Seguem suas vidas
Ordenadas, bemtrapilhas
Com suas glórias mentirosas
E as almas farroupilhas


Saúdem o vagabundo
Que do destino não quer nada
Não incomoda a Deus
Pedindo a vossa graça
Ao contrário da maioria
Egoístas, aves de rapina
Que seguem ajoelhadas
Ele segue às gargalhadas


Socialmente a margem
Barbudo e bêbado
Urinado e encardido
Sua mente é indigente
Cidadão indecente
Não quer ser como a gente


Palmas para o vagabundo!

 


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O poeta errado

Dizem que escrevo errado
Que não sigo regra de oração
Acham melhor que eu fique calado?
Do que ser poeta de coração!

 

Dizem: o poeta de verdade
Tem que escrever certo
Não por amor ou vaidade
Mas por que assim é o correto


Coitado desse tal "poeta de verdade”
Que ao invés de preferir a liberdade
Quebrando as regras de oração
Entre certo e errado, fez a pior opção:
Fez da palavra uma prisão


O vernáculo é sem dono
Se existe algum patrono
Digo que esse é um déspota
Quer-nos quietos, na casota
Nos contando essa lorota
De que a letra está morta


Meus errados versos criam asas
Com eles tenho plena voz ativa
Quero ser um poeta sem mordaças
Assim como o grande Patativa

 

Pra ler: Patativa do Assaré

 


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Bossa de uma nota só

Escolha um acorde que melhor combine com o seu tom de voz e toque essa velha bossa nova a vontade!

 

Letra: André Al e Michel Carvalho


Lá vai o barquinho
No mar azulzinho
E a nuvem branquinha
No céu a flutuar


O meu amorzinho
Foi-se, redemoinho
E eu to sozinho
Sob a luz do luar


Destino
Por que és ingrato
Me deixou de lado
Preso a solidão


Sorriso
Vadio encantado
Rimo encabulado
Com o meu violão...

 


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Sábado, 10 de Outubro de 2009
Estado crítico

Minhas dores... Ah, minhas dores. O que elas não me fazem passar. Fui novamente ao hospital público para mais uma vez tentar fazer minhas repentinas e aceleradas palpitações cardíacas decorrentes do stress (o mal do homem pós-moderno) diminuírem. Fui atendido até que rápido (e com direito a eletrocardiograma), fiquei aproximadamente 1h, o que para os padrões públicos e Standard de atendimento é pouco tempo.


Enquanto aguardava minha vez de ser atendido, uma pergunta me veio à cabeça: quem é que manda na saúde pública brasileira? Será que é o ministro da saúde? O governador? O prefeito, ou a sub-prefeitura? Senadores, deputados, vereadores...? O presidente? A população? Quem será, ou quem são esses indivíduos responsáveis pelo funcionamento do sistema de saúde? Nessa minha paciente espera pelo atendimento descobri quem é que manda, quem é que da as ordens, quem são os bam-bam-bans, os reis da cocada preta, responsáveis por esses órgãos: são os diretores dos hospitais, dos postos de saúde ou de qualquer outro tipo de repartição pública desse mesmo gênero (ou de qualquer outro também). Bem, você deve estar se perguntando: como esse cara chegou a essa conclusão? Vamos a ela, a explicação:


Sentado esperando no confortável banco de madeira, em meio aos outros sem convênio médico que pacientemente também esperavam sua vez, uma placa fixada numa das portas dentro do ambulatório me chamou a atenção, nela estava (ou está ainda) escrito – ATENÇÃO SR. USUÁRIO, NÃO FORNECEMOS ATESTADO MÉDICO, FAVOR NÃO INSISTIR, ATENCIOSAMENTE, A CHEFIA DO PRONTO SOCORRO ADULTO. De primeiro momento não dei muita bola, mas como nosso cérebro nunca para de processar as informações adquiridas, comecei a desconfiar que havia algo de errado naqueles dizeres. Segundo ela, a placa, o hospital não fornece atestado médico, e imagino que essa atitude foi tomada pelo número excessivo de pessoas que pedem o mesmo, o que não quer dizer nada também, já que é notório que todas as repartições de saúde públicas são lotadas, então todos os serviços solicitados nelas sofrerão uma demanda muito grande. Fotografei a placa utilizando meu ultra-moderno celular, sai de lá e segui a caminho de casa. Chegando fui direto perguntar ao oráculo do século XXI, o Google, sobre o fornecimento de atestado médico e averigüei o que já desconfiava: o hospital estava (ou ainda está) infringindo a lei. Segundo a resolução nº 1.658/2002 do CFM (Conselho Federal de Medicina),
“o atestado médico é parte integrante do ato médico, sendo seu fornecimento direito inalienável do paciente, não podendo importar em qualquer majoração de honorários.”


Fiquei me perguntando: para que são feitas as leis, já que cada um faz o que quer? Se você for analisar quem é que manda no Brasil, vai ver que são os chefes das repartições públicas, porque são eles quem fazem à máquina estatal “funcionar”. Hospitais, escolas e as demais repartições estão todas a mercê de seus diretores. As leis que as regem parecem que nem existem, que não tem utilidade.


O CFM se reuni e define que o fornecimento do atestado médico é obrigatório, é um direito do paciente, mas o chefe do departamento do pronto socorro, que é quem faz o serviço “andar”, acha que não, tem muita gente “pedindo” a toa, então não vamos mais fornece-lo. Isso é no mínimo absurdo. Se eles acham que tem muita gente “pedindo” sem ter nenhum tipo de enfermidade, que estão solicitando o atestado só para conseguir matar um dia de trabalho, que atestem somente as horas em que o indivíduo esteve no local, agora fazer uma placa dizendo que não vão mais fornecer a ninguém, e ainda pedem para não insistir! Ai é brincadeira! O pior não é só a direção do hospital tomar essa atitude, é também a omissão da classe médica que se auto-infringe. Será que não teve um médico que indignado com essa decisão pôs-se contra a direção? Eu não estava lá para saber se teve ou não, mas pelo jeito... A placa estava lá (ou ainda está).

 

O que será que leva alguém a querer ser médico hoje? Amor à profissão ou glamour? Aquele médico que tem como princípios salvar vidas, acho que está ficando raro. Se é que ele existiu um dia. O que a maioria quer mesmo é o glamour, o status que a prática médica tem em nossa sociedade pós-moderna. Eles devem ter achado foi é bom, esse lance de não dar mais atestado. Eles vivem reclamando que ganham pouco. Se estão descontentes com o ordenado, então caiam fora! O médico que trabalha com má vontade prejudica muita gente.


Fora que não consigo entender como alguém que estuda tanto para ser médico pode ter uma letra tão, mais tão horrível. Deveria ser exigido do médico que ele escrevesse de forma legível. Geralmente ficamos sabendo qual remédio foi receitado somente na hora da compra, porque o farmacêutico é o único que consegue decifrar os garranchos. Deve ter um ou outro por ai que se preocupa em escrever de maneira legível, mas se for ver pela maioria...


Pensando bem, acho que o pior mesmo é saber que a população que paga imposto e usa o serviço público nem faz idéia de que aquela placa é um sinal, ou mais um sinal, do desrespeito com que os órgãos públicos tratam seus usuários. Se a população soubesse dos seus direitos, de que nós é que somos os “patrões” do estado, placas como essa não durariam muito.


A saúde brasileira segue entubada na UTI, seu estado é crítico e os médicos responsáveis pela sua recuperação estão mais preocupados em receberem o soldo e em exibirem seus diplomas, pendurados nas paredes de seus frios consultórios. Os populares que precisam desses serviços seguem ajoelhados, rezando para que tudo melhore em suas vidas. A fé ajuda, é fundamental em nossa existência, mas as coisas só vão mudar de verdade quando substituirmos as bíblias, livros de auto-ajuda ou qualquer outra coisa do tipo, pela constituição da república federativa do Brasil, que é o livro que rege nossa coletividade.
Minhas dores... Ah, minhas dores.

 

Hosp. São Luiz Gonzaga - SP/Capital - 25/09/09

 


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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
Flor do oriente

Flor do oriente
Num beijo
Me desoriente
Calá-me todo
Sol poente
Noite que vem
Suor de água ardente

 


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Conjugado ser

Ser: verbo conjugado
O que pesa ao ser
É o “ter que ser”
E quando se está sendo
Não se sabe mesmo se é
Ou quem é
Ou o que é
Ou qual é
Muitas vezes o ser
Só parece ser
Mas não é
Nem aquele
Nem aquilo
Nem um kilo
Nem umbigo
O que será que será de nós...
Sou-me
E isso em basta.


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Domingo, 4 de Outubro de 2009
Curta o Curta - Pajerama

 

 

Direção

Leonardo Amarante Cadaval

Produtora

Glaz Entretenimento

Brasil/2008

 

PAJERAMA

 


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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
Eu em você

Assim como a imensidão do céu
É, suspenso, o reflexo do mar
Reconheci a minha alma
Refletida em seu olhar


Eu em você
Você em tudo
E tudo é o que há
Em nós


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Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Horizonte

O infinito começou
Quando longe no horizonte
Após vencer o monte
O céu do teu olhar
Minha vida, encontrou
A deriva pelo mar...


Embarque-me, navegue-me
De velas armadas infladas
A favor do vento que sopra
Ancoraremos num porto distante


E debaixo de sonhos brilhantes
Fervor de amor cintilante
Faremos agora atempo


E longe do mundo maçante
Edificando um futuro exuberante
Viveremos a orla do tempo


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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Curta o Curta - A história das coisas

 

 

 Créditos da versão brasileira: 

 

Adaptação do texto - Denise Zepter
Locução - Nina Garcia
Direção e edição - Fábio Gavi
Estúdios - Gavi New Track - SP


Créditos da versão legendada:

 

Organização e Apoio - InfoNature.Org
Tradução e Legendas - DocsPT

 

Créditos da versão original:


Written by - Annie Leonard
Produced by - Free Range Studios
Executive Producers - Christopher Herrera, Tides Foundation, Funders Workgroup for Sustainable Production and Consumption
Director - Louis Fox
Producer - Erica Priggen
Camera - Braelan Murray
Gaffer - Charles Griswold
Sound - Michael Emery
Hair/Make-Up - Laura Tesone
Production Assistant - Brian Dettor

Animation Script - Louis Fox
Animator - Ruben DeLuna
Editor - Braelan Murray
Post-Production - Aidan Fraser
Post-Audio - Ray Sutton

 

Fonte: História das coisas


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Eterna brincadeira

Sentado na antiga poltrona da sala, observava saudoso a velha foto. Era ele, com o braço estendido segurando uma flor, e seu pai, agachado abraçando-o sorridente. Na época deveria ter entre cinco ou seis anos, não lembrava exatamente. De fundo, um enorme e vivo jardim colorido, que numa distante e quase esquecida infância foi seu universo de brincadeiras, um mundo de diversões. Não sabia mais quando foi à última vez que esteve ali. As poucas lembranças eram esfareladas, e no decorrer dos corridos anos a casa havia mudado muito, o que não o ajudava a trazer de volta alguns flashs do passado. O antigo e alegre jardim hoje é uma pavimentada e espaçosa garagem, toda coberta, e no lugar das flores e ervas cidreiras há um monte de ferramentas e outras bugigangas empoeiradas, todas esperando que um dia haja uma ocasião em que possam servir para alguma coisa. Debaixo do duro e insipto cimento repousam boas lembranças vespertinas de épocas há muito vividas.

 

Sua vida adulta era asfixiante: doze horas para mais de trabalho, trânsito, os filhos na escola, esposa, contas e mais contas... O lazer programado... Muitas prioridades, responsabilidade sobre responsabilidade. O tempo era escasso. Tê-lo “livre” era coisa rara, virou artigo de luxo. O gesto do garoto no retrato lhe ofereceu um momento nostálgico de íntima alegria infantil. Fechou o antigo álbum e guardou-o na parte baixa da estante, junto ao tricô disforme e inacabado.


Venha, vamos cantar parabéns - chamaram-no para junto da família reunida em volta da mesa. Olhou as velas no bolo, 9 e 1. Apesar de saber a idade que sua avó faria, ficou impressionado com o número. A aniversariante olhava para as pessoas em sua volta, mas não reconhecia mais quase ninguém. Ele achava aquilo curioso: apesar daqueles rostos para ela não serem mais familiares, sempre respeitava as ordens da filha mais velha, e quando era chamada de mãe sempre olhava de volta. Deveria ser o instinto materno, talvez ele nunca desapareça... Algo assim.

 

No começo foi duro para que entendessem o que estava acontecendo. Ela esquecia os nomes de todos, perguntava a mesma coisa uma série de vezes, guardava sapatos na geladeira, temperava o feijão com detergente... Foi um período complicado. Depois da confirmação as coisas ficaram mais claras, porem, não menos sofridas. A doença degenerativa era irreversível, e estava em estágio avançado. O mal genético estaria com ela até o fim. Mesmo acompanhando os acontecimentos de longe, erra difícil aceitar isso. Ele entendia agora o que significava ter medo da morte.


É estranho, sabemos que vamos morrer, todos morrem, mas quando a morte é uma realidade próxima, o medo vira uma presença constante. O que será que se passa na cabeça dela... Fica o dia todo com uma boneca na mão tratando-a como um filho. Banha-a, lava as roupas, fica horas conversando... Está presa num mundo só dela. É perturbador. Não lembro a última vez que ela falou comigo. Não sou visita freqüente, não tenho muito o que lembrar também... Pareço com ela: não me recordo de um monte de coisas que aconteceram dentro dessa casa. Esqueci. Passei aqui muitas tardes, correndo de um lado para o outro, só parava com os gritos de faça mesmos algazarra menino. Tempos que... Acho que troquei as lembranças que vivi aqui por um punhado de informações absorvidas num cotidiano burocrático, de tarefas consecutivas que precisam somente serem passadas à frente. Nesse ambiente caótico, os arquivos é que se encarregam das lembranças. Não me recordo dos gostos das comidas que ela preparava e que formaram meu paladar. Doces de sobremesa e bolos para comer com o café feito no coador de pano, aqueles sabores cuidadosamente feitos pelas matriarcais mãos dedicadas, nunca mais os sentirei. Os cheiros, que enchiam a casa durante o preparo... Aromas únicos de dar água na boca... Nunca mais. Gradativamente fui reeducado pela rapidez dos pratos semi-prontos, e hoje meu olfato se contenta em sentir o odor de cremes e loções. Olho para meus parentes, mas também não lembro da maioria. Quase todos, para ser quase exato. Fora um ou outro mais próximo que ainda converso, os demais trato-os como primos, e mais nada. Não existe proximidade, além disso. De quantas coisas ela já não tem mais consciência: crise mundial, política, aquecimento global... Ela nem faz idéia do que esteja acontecendo com o mundo, catástrofes... Deve ser bom não ter que se preocupar com isso. A morte... Ela também não tem conhecimento sobre o que esta por vir. A tão assustadora morte, de olhar frio, capuz preto e foice na mão, não é ninguém para ela. Nada. Parece irônico. Todos os medos e neuroses que sentimos, em seu mundo de brincadeiras, não existem. Assim como eu, ela também não lembra do jardim, mas diferente de mim ela não tem o desprazer de saber sobre os acontecimentos desumanos que ocorrem a toda hora, e que são jogados na nossa cara durantes os noticiários, narrados com ódio e em tom indigno, e que ressoam demagogo aos ouvidos. Segregações, fobias, intolerância, Hiroshima e Candelária... Nada disso mais... Nem céu nem inferno. O que para ela é real é sua eterna brincadeira. Está segura em seu solitário e rico mundo imaginativo. E eu, tenho que lembrar que não lembro de muitas coisas que um dia foi o meu mundo... Meu mundo de brincadeira feliz e real e que aos poucos foi sendo substituído e esquecido por algo que nem sei mais como chamar. Dizem que essa loucura diária é que é a realidade...


Ele logo voltou a si... Olhou para ela e sorriu. Ela o sorriu delicado de volta. Sentiu um alívio interior por saber que ela de certa forma está segura, longe dos problemas criados pelas megalomanias humanas. Voltou à atenção para a festa e tranqüilo juntou-se ao coro dos esquecidos:


- Paaarabéééns praaa vo-cê...

 

 

Baseado no conto Diagnóstico de Helga Belivacqua


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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
Papa Pedro Pedro papa

Se Pedro és pedra
Se pedra és templo
Se templo és força
Se força és poder
Se poder és controle
Se controle és medo
Então templo é controle
E controlar é poder
Se um pode outro teme
Se alguém teme sobre a pedra
Edificada pela força
O culpado és Pedro!


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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Tempo

O tempo constrói a pedra
Com a pedra construo o templo
No templo arquiteto a vida
Traçando uma linha finita
Na linha infinita do tempo


O tempo é parado, parado em si mesmo
Ensimesmado eu, mato o tempo
Sem tempo ser-me: contratempo
Luta difícil, contra o tempo
Pele riscada, rosto sulcado
Marcado pelo tempo


Relativo, o tempo, que se dilata
Dimensão curva, talvez seja a quarta
Viagem no tempo: sonho possível
O tempo que vem, vem imprevisível


O tempo é invento, preso ao relógio
Cravado ponteiro indicando o horário
Tempo marcando o tempo marcado
Não vê a hora de ser dilatado
Na curva do espaço, já é sem tempo


O tempo não pára, o tempo só passa
E eu passo o tempo, correndo e vivendo
Enquanto a vida, veloz passa-tempo
Seguindo em frente, nos ultrapassa


De tempo ao tempo, pois ainda há tempo
...
 

 

Foto de Eric Neumann - Click e vejo o fotolog


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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009
Carandiru

Pombas e gatos num lugar onde os cachorros são os ratos e a morte vem travestida de gente. Implodido, deixa um alívio consciente na mente e a desigaldade social a caminhar tranquilamente... Sorridente. Vida leve leve vida leviana finda.

 


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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
Passarinho

Avistando as migalhas no chão, rasante pousa o pássaro. Gorjeai, saltita, belisca e come feliz o farelo seco misturado à poeira velha espalhada pelo vento eterno e sem parada. Ao som das buzinas dos carros, longe da era das carroças, canta infantil a pequena inata ave transformando a moribunda visão cotidiana numa brincadeira ao carrossel que gira colorido e sem fim. Ouvindo um canto em resposta, vê ao lado uma loja gigante que vende sonhos e garantias de amizade. Impressionado com a variada fauna contida em tão pouco espaço, aproxima-se do populoso viveiro e um local puxa papo:


- Oi, de onde você vem?


- Como assim? – Não entendeu a pergunta do amigo enjaulado, e sem querer saber muito sobre, respondeu - Se o lugar é um, então não existe “de onde”.


- Venha para cá, fique conosco. Aqui temos comida e água, não precisamos viver correndo atrás de nada!


- Quem não sabe o valor do farelo, condena a alma ao flagelo. – Respondeu.


Antes de afastar-se da loja, deu uma boa olhada em sua volta e pensou – o animal ama somente a si.
Foi até a poça, bebericou, gargarejou, sem titubeio, bateu assas e voou.


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Caminhos

Preso ao vôo
Flutua o pássaro
Aninha-se breve
Num curto pouso
Sem muito repouso
Logo se volta
Instintivo revôo


Livre andarilho
Vou pela estrada
Sem vôo sem trilho
Nem trilha nem laço
E passo a passo
Destrincho o caminho
Seguindo o destino
Que eu mesmo faço

 


 

Uma estrada de Cuba - Foto de Eric Neumann

Click e veja o fololog


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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
Anjo leigo

Anjo leigo
Estado laico
Corpo ecumênico
Simbólica eucaristia

 

Na mão: foice e martelo
Esperança, coração
Na urna: azul amarelo
Rogada contradição

 

Confissão moribunda
Juramento, consagração
Carne em custódia
Crisma, oração

 

Benta água
Bebe a alma
Afoga magoa
Cura acalma

 

Batismo tardio
Mundão vadio
Protegido acrânio
Sente alívio

 

Pagão ou não
De olhos fechados
E joelhos dobrados
As ovelhas pastarão

 

 

Poema baseado em:

MOVIMENTO, O. Batismo, Eucaristia e Crisma para adultos. Setembro de 2009. São Paulo/SP.

 


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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
Se não é que já estou morto

A pressão que meu peito sofre
Já não me põe mais medo
Aviso inconsciente ao meu ser
Que não parecer ser mais o mesmo.
Ardor puro! Preciso morrer!
Repouso confiante a navalha assassina
Escorre espuma como se fosse sangue
Sufoco a mórbida pia,
Abandono o que me é verdadeiro,
A privada é uma ilusão.
Eterno corpo surrado
Meu cheiro natural
Violentamente marginalizado.
Passos quente em piso frio,
Cem nomes de algozes tatuados na pele.
Nego a ser o divino animal terrestre
Ser o que é,
Agora irei morrer
Como um lagarto faminto.

 

Desenho de Elis Silva (aos 3 anos de iadade)

 

Poema de autoria de Sérgio Silva, baseado no meu conto Preciso Morrer.


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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009
Males do Brasil

 

 

* Baseado no trecho do livro Macunaíma: "Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são! "


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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
Poesia Visual

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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Domingo, 23 de Agosto de 2009
A história do Homem de Nada

Quando tudo era nada e a existência se resumia na solidão divina, um conceptivo sopro rompeu o tédio, ressoando em criação, transformando o silêncio em verbo a escuridão em luz e o nada em tudo.


Dentre todas as galáxias originadas há uma um tanto diferente, é a galáxia de nada. Nesse pedacinho de universo de nada existe um astro de nada especial, o planeta de nada. Esse planeta de nada, que também é chamado de mundo de nada, é divido geopoliticamente em continentes, países, estados, cidades, bairros... Todos de nada. E é num desses locais de nada que nasceu a personagem dessa história de nada: o Homem de Nada.

 

Era uma vez o Homem de Nada. O Homem de Nada nasceu num hospital que não tinha nome relevante e ficava num bairro que ninguém nunca ouviu falar, de uma cidade desconhecida, situada num estado de peso econômico que não vale a pena ser citado. O horário ninguém sabia qual era, pois os relógios não marcavam tempo algum. Era um dia de nada de um mês sem comemorações, nenhuma data especial. O Homem de Nada foi abandonado antes de completar vinte e quatro horas de nada de nascido, mas logo foi acolhido por uma família riquíssima de nada, a família de Nada, que foi onde ele recebeu o nobre sobrenome.


Sua interiorana infância de nada foi maravilhosa. Cresceu cercado de livros cheios de estórias e conhecimentos de nada. Quando entrou no colégio de nada, já sabia ler muitas coisas de nada, o que o fez ser o primeiro aluno de nada da classe de nada. A professora de nada vivia lhe fazendo desimportantes perguntas:


- Senhor de Nada.


- Sim professora de nada.


- Me responda: quem descobriu nosso país de nada? – Sem pensar em nada o pequeno menino de nada respondeu.


- Ninguém professora!


- Muito bem! Está vendo classe de nada, vocês tem que ser de nada assim também! – O pequeno de nada abriu um sorriso brilhoso de orelha a orelha espalhando pela sala seu majestoso feliz semblante de nada.


Na adolescência as meninas de nada o adoravam pela sua inteligência de nada, o que o ajudou a ter algumas namoradas de nada. Prestou o vestibular de nada para Ciências de Nada na Faculdade Federal de Nada e foi aprovado em primeiro lugar de nada, o que o fez mudar da pequena cidadezinha de nada e partir para a grande megalópole, a capital de nada. Morou, junto com outros alunos de nada, numa república estudantil de nada onde, entre festas e estudos de nada, passou agitados dias de nada, memoráveis. Ainda cursando nada conseguiu um estagio de nada numa das maiores multinacionais de nada, a Indústria Nothing S/A. Determinado como era na vida acadêmica de nada, assim também foi no trabalho de nada e logo efetivou-se, e em sua carreira profissional de nada galgou muitos cargos de nada. Ascendeu ao nada muito rápido. Através de uma de suas amizades de nada, conheceu uma garota maravilhosa de nada, a Garota de Nada. Logo começaram um namoro de nada, que resultou em um casamento de nada. Quando terminaram a faculdade de nada (a Garota de Nada cursava Psicologia de Nada na Uninada, e diplomaram-se no mesmo ano de nada) mudaram-se para o interior de nada, queriam que seus futuros filhos de nada, que logo vieram em escadinha (Menina de Nada, Menino de Nada e Caçula de Nada), fossem criados longe da violência de nada que na grande cidade de nada tinha com fartura. Abriram um comercio de nada, que gradativamente prosperou. Suas crias de nada logo cresceram e seguiram os mesmos passos de nada do pai de nada, e foram estudar nada em outra cidade de nada numa das melhores instituições acadêmicas de nada. O casal de nada envelhecera sem perceber, e quando menos esperavam já eram avós de nada: nos finais de semana de nada os sete netos de nada enchiam a casa de nada de alegria nenhuma. Era uma grande felicidade de nada. Num dia de nada o Homem de nada, já aposentado de nada, acordou bem cedo e foi até a banca de nada comprar a Gazeta de Nada, voltou para casa de nada encheu sua canequinha de nada preferida com café de nada puro, sintonizou na Rádio de Nada que tocava suas modas de nada que tanto adorava, sentou-se como nunca na cadeira de balanço de nada, abriu o jornal de nada e morreu...


A família de nada juntou-se para o velório de nada no velho casarão de nada. Praticamente todos os moradores de nada da cidadezinha de nada seguiram pelas ruas de nada, cadenciados ao som do bumbo de nada, o florido cortejo de nada. Por fim, o defunto de nada foi sepultado.

 

Até hoje nessa cidadezinha de nada quem vai ao cemitério de nada e escuta o coveiro de nada contar essa história de nada, impressionasse, e fica mais curioso de nada quando lê o epitáfio de nada esculpido no marmoroso jazigo de nada: “Aqui jaz o Homem de Nada: um ser humano que representou tudo o que alguém pode ser na vida.”


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Publicado por Mundo ID às 20:28
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Quando o pai era criança

Quando o pai era criança
Era tudo diferente
Eram dias de esperança
Onde a gente era mais gente


Hoje tudo é produto
A vida é descartável
Em um mundo tão instável
O ser humano vulnerável
Fez do medo seu seguro


É o que faz a maioria:
Celebram a agonia
Encabrestados alegremente
Fazem tudo em série, igualmente


Por isso lhe desejo que faça
Com amor e com raça
Do seu brinquedo o seu futuro
Melhor coisa não há, lhe juro


Do divino ventre, fruto
Que, para o mundo, nasceu
A esperança, junto
Com você alvoreceu


E o sonho que me morreu
Quando foste concebido
Ele, em ti, filho meu
Com alegria, em mim, renasceu.


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Publicado por Mundo ID às 01:13
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009
Beja-Frô dumeu Amô

Meu benzim tatuô
Nas coista um beja-frô
E não goistô, di como ficô
O fulano, disgramado
Mintiroiso, disgranhento
Zartistinha mulanbento
Se dizia um bom pintor
Dessis di quaidro famosu
Raisbiscô glamurosu
Mas num era não sinhô
E o qui nissu mirritô
É qui minha Frô chorô
Purqui, di verdadi
O qui ele borrô
Num foi um simpris disenhô
O qui ele manchô
Foi o sonhu vuadô

Qui meu amô tantu sonhô.


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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
Coitado do meu violão

Coitado do meu violão
Hoje vive num canto jogado
Sempre, a mim, de braço esticado
Mas nunca lhe estendo mão


Meus dedos a muito não passeiam
Naquele corpo sinuoso
Que emite som majestoso


Sei que seus desejos anseiam
Um acorde caloroso
De encher ouvido atencioso


Ainda o tomarei nos braços
E a palheta nas cordas de aço
Produzirão felizes, novamente
A vibração contente
Do ruído estridente
Que se transforma em emoção


Vê-lo assim dói meu coração
Sei que em você existe uma canção
Que ainda não foi tocada
E a vida, nessa longa estrada
Pode findar de supetão


Ao meu amigo, de antemão
Só, de lado, peço perdão
Ao companheiro de Luais
E tantos carnavais...
Ai... Coitado do meu violão


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Publicado por Mundo ID às 18:54
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Sábios pensamentos

“Tem coisas que são tão eternas que parecem que nunca vão acabar...”


“A dentadura é a peruca da boca.”


“Dobrar a esquina é a maior forma de provar que você é forte!”


“A privada é uma ilusão, não creia nela.”


“Darwin desenvolveu a ‘Teoria da Evolução das Espécies’ onde diz que o mais forte sobrevive na cadeia evolutiva. Os políticos, para provarem o contrário, criaram o nepotismo.”


“Nem tudo que reluz é luz.”

 

"Se todos fossem vencedores, não haveriam perdores. Da cara de quem que iriamos rir então?"


Autor: Arquétipo desconhecido


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Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Boa noite solidão

Boa noite solidão
Que chega sem convite
Deite-se ao meu lado, então
Diga o que quer, aproveite


Você sempre vem
Mas nunca diz nada
Quer alguém?
Não fique calada


Confesse-se comigo
Sabe que sou seu amigo
Aquele segredo antigo
Entre nós não corre perigo


Sei qual é sua tristeza
Apesar de vossa alteza
Ser rainha onipresente
O que lhe deixa desconte
É que ninguém a quer, realmente!


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Publicado por Mundo ID às 22:51
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Opinem

Muito boa tarde
A todos. Vejam
o link, leiam
Os que não titubeiam
Opine a vontade
Bem trate ou mau trate
Mas, por favor, sem alarde...

 

Leia - Mundo ID


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Publicado por Mundo ID às 22:33
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Preciso Morrer

A pressão que meu peito sofre já não me põe mais medo, pois sei que o que sinto não é gerado por uma disfunção corpórea, é ardor puro: um aviso do inconsciente de que meu ser não é aquele e nem aquilo que parece, e também de que preciso morrer! E logo. Minha interminável guerra arquetípica chega a ser injusta são muitos contra um que nem sabe mesmo o que é, e, pior, nem se virá a ser algo... Barbeando-me vi que o creme formou um risco em meu pescoço como que se marcasse o local a ser atingido. Fiquei olhando agoniado a espuma escorrendo como se fosse sangue... Alguém ali, bem de frente ao mentiroso espelho ia degola-me sumariamente, mas num ato corajoso repousei confiante a assassina navalha na mórbida necrotérica pia e momentaneamente tranqüilo assisti a um deles findar de forma súbita. Sorrindo pensei “ganhei uma batalha” apesar de saber que o que preciso mesmo é morrer, e logo. Não vejo mais sentido no ato de sentar-se ao vaso porque meus verdadeiros excrementos realmente nunca desceram por sua goela abaixo. A privada é uma ilusão. Pareço um enfezado filtro: ingiro imundices expilo porcarias, mas as incômodas e verdadeiras nojeiras cancerígenas ficam alojadas incubadas no âmago remoendo-se e moendo-me para que depois quando regurgitadas façam-me parecer um encabrestado animal ruminante. Não quis passar o desodorante aquilo é uma maldita armadilha sulfúrica que queima-me todas as vezes que a uso extingui meu natural e marginalizado cheiro e meu corpo é violentamente surrado pelos químicos disfarçados. Cansei de me auto-flagelar. Não podia mais permanecer ali e fiquei apreensivo pela consciência de saber que ao sair do banheiro alguém entocado me apunhalaria pelas costas e mesmo sobrevivendo ao ataque o combate continuaria com outro, outro, outro... Há um exército psíquico a minha espreita e os generais dessas tropas carniceiras alimentam minhas internas pragas ratos baratas um monte de outras pestes que foram todas plantadas regadas cuidadosamente semeadas para que eu me mantenha um infeliz derrotado e neurótico. Tática eficaz e ilícita essa, mas vou vencê-los e para isso preciso morrer, e rápido. Tomei fôlego e corri em direção ao quarto, mas quando meu passo quente tocou no piso frio meu corpo inteiro tremeu baqueado e a reverberação produzida no corredor zuniu aguda retumbante em meus ouvidos aturdindo-me, focado ainda segui cambaleante até cair sobre o ríspido carpete da câmara fúnebre, veloz recuperei-me audaz e bravio ergui o rosto avistando a monstruosa montanha de vinil negro que havia a minha frente, impactado e assustado recuei batendo as costas contra uma muralha de livros velhos e falastrões que há anos ignoro, acuado gélido suei vendo com arregalados olhos as centenas de mãos que saiam de objetos cognitivos agarrarem uma porção de outras mãos que imergiam de minhas entranhas e fui debatendo-me contra elas até chocar-me numa urna vertical imensa e sombria que revelou ao abrir as portas uma série de peles inumanas todas mofadas apodrecidas com os nomes de seus algozes marcados a ferro, elas saltaram e rastejando tentaram subir pelas minhas pernas, me defendi chutando-as para longe, desequilibrado em meio aos pontapés cai sobre a cama e senti meu estomago encolher repugnado amargando minha boca só de imaginar quantas autópsias minhas já foram feitas sobre aquela sádica mesa cirúrgica, quantas... Cansei de ser o divino animal terrestre que se nega a ser o que é... Vou morrer e vence-los e vai ser agora! Sem medo do que poderia vir a acontecer levantei-me e quebrei tudo o que vi pela frente precisava desmembrá-los desarticulá-los espedaçá-los torná-los amorfos não-cógnitos. Depois de horas espancando-os olhei em minha volta e quando tudo não me lembrava mais nada agachei-me como um bicho faminto e comecei a comer a salada de farrapos que se formou aos meus pés comi até vomitar e quando vomitei comecei a comer de novo fiz isso até que os restos gástricos misturados a minha saliva formassem uma massa grudenta e densa quando isso aconteceu com ela construí meu sepulcro... Acasulado batráquio, morri.
Algum tempo depois foram encontrados no cômodo apenas cacos apodrecidos do que parecia ser um grande invólucro. Ninguém nunca mais foi visto no local.

 

Poema inspirado nesse conto: Se não é que já estou morto.


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Terça-feira, 28 de Julho de 2009
Flores X Anjos

Sempre preferi as flores
Não por questões de odores
Nem de valores
E sim por fixarem raízes


Mesmo, ao arrancadas, deixando cicatrizes
Criam concretos amores
E os acontecidos anteriores
Saudosos, nos deixam felizes


Pétala delicada, suave amada
Às vezes me machuco no espinho
Sinto-me triste, sozinho
Dai planto outra rosa
Bem regada, cresce formosa
Transforma o nada em jardim


Coitado de mim
Que por ventura
Da vida, certa altura
Conheci um anjo
Mas não sei, em fim
Se era querubim, serafim...


Acho que era arcanjo...
Bem... independente da patente
Foi somente desarranjo
Desencontros, constantemente


E Deixa-me saudades
Pois sei que na verde
Esse anjo que aqui passou


Encontrou outra cidade
E atrás da felicidade
Bateu asas e voou
...


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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Poema sem graça

Parece que quanto:


Mais o tempo passa
Mais a gente despedaça
Mais a vida se desgasta
Mais a morte ameaça


Mais a cara se disfarça
Mais o clima embaça
Mais eu faço arruaça
Mais, ainda, bebo cachaça


Mais a boca amordaça
Mais a mente avoaça
Mais a história se entrelaça
Mais a massa se amaça


Por isso tragam-me vinho, na taça
Não quero mais pensar em desgraça
Venha correndo, me abraça
Beije-me agora, mulheraça


Porque enquanto a vida passa
E o sistema nos rechaça
O bumbo soa na praça...
Ah, chega. Esse poema já perdeu a graça.

 

*Baseado no texto Roubando Alfaces, de Marcella MGM.


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Muleca

E, muleca danada
Ornada de saia rodada
Trepada na goiabeira
Por baixo, não usa nada
Doida, sem eira e nem beira


Me chama: “menino, vem ver o céu”
Viaja em sonho comigo
Por esse infinito índigo


Mar suspenso, que aos olhos embebe
Imensidão! Brilha azul bebê
Daquela nuvem se fez um véu
Do divino amor se fez você


Muleca travessa que canta
Com malícia, audaz canção
Que diz brincar comigo
O cálido jogo da sedução


E, muleca atrevida
Mexe, remexe, encanta
Sabe que chorar não adianta
Então grita, ensandecida:
“vamos viver a beleza da vida”


Beleza essa refletida no olhar
No jeito de menina mulher
Dos homens, sabe o que quer
Coitados do que se apaixonar


Por essa muleca, maluca
Que me deixa confuso, em fim
Quando penso: “agora é sim!”
Ela vem e diz: “agora não!”
Porque, na verdade, essa muleca
Só quer é brincar com meu coração...


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Quarta-feira, 22 de Julho de 2009
Pêssego

Menina mulher menina
Do ouro, lhe fizeram os cabelos
Da noite, lhe fizeram os desejos
Inquieta fêmea leonina


De erro em erro, acerta
Acerta corações desprevenidos
Coitados, machos desprovidos
De inteligência. Coibidos
Escondem-se atrás da rudeza


Felina, mandona Rainha
Por onde passa, enche de graça
Para as outras mulheres: mesquinha
Acham-na gatuna, pura desgraça


Isso é inveja! Dor de cotovelo
Por roubar a cena, em lugares
Onde anda: ruas, praças, bares
Pois é sublime leoa, de corpo belo


No amendoado olhar carrega a beleza
De causar aos homens desassossego
Tens na alma singela natureza
Porque és doce fruto, és pêssego.


Inquieta fêmea leonina...


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Terça-feira, 21 de Julho de 2009
Cantiga manhosa

Vem cá mamãe
Mimar bebê
Vem cá mamãe
Amo você


Dá dá...
Dá dá colinho
Dá dá
Dá dá sorrisinho...


Vem cá mamãe
Ninar bebê
Canta pra mim
Nana nenê


Dá dá...
Dá dá carinho
Dá dá
Dá dá beijinho...


Se não fizer
Nenê faz biquinho
E chora baixinho...


Na manha nenê
Assim ganha você

 

Download - pra ouvir:

Novos Baianos - Acabou Chorare


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Em diante

Qual a diferença de saber o passado
Que a muito se encontra distante
O relógio é negócio inventado
Só temos o agora em diante


O vivido já está morto
O futuro não aconteceu
No presente se concerta o torto
Arrumemo-nos, você e eu


Vamos rir dos acontecidos
Como loucos, que descobriram “o segredo”
Nessa peça que chamamos de vida
Façamos um novo enredo


O tempo vai marcar nossos rostos
Antes que finde e só fique desgosto
Me de sua mão, caminhe comigo
Plantando a semente, colhendo o trigo
Nosso futuro amor, não corre perigo


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Segunda-feira, 20 de Julho de 2009
Dia do Amigo

Hoje é dia do amigo
Como pude esquecer!
Vendo um álbum antigo
Lembrei-me de você


Quantos momentos divertidos
Festas, passeios, viagens
Esquinas, roles, camaradagens
Muitos instantes vividos


Alguns, em fotos guardados
Outros, boas lembranças
Agora, estamos separados
Mas juntos, somos crianças


Crianças alegres brincantes
Neste tempo maluco: perdidos
Nossos sonhos a muito esquecidos
Tornam-se em conjunto brilhantes


Mágoas sofridas de outrora
Risos alegres de agora
Pois briga de amigo vai embora
Não fica, passa na hora


Às vezes me sinto só
Precisando de abrigo
Meu estado chega dá dó
Por isso lhe antedigo:


Nesse mundo conturbado
Onde muito se aceita calado
É bom sempre estar contigo
Quero tê-lo sempre ao meu lado
Obrigado por existir, amigo!

 

Download - pra ouvir:

Balão Mágico - Amigos do peito

Roberto Carlos - Um milhão de amigos


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Sábado, 18 de Julho de 2009
O show não pode parar!

I

 

Dia 25 de junho deste ano Michel Jackson faleceu aos 50 anos da idade, decorrente de uma parada cardíaca. Considerado o rei da música pop em todo o mundo, a notícia de sua morte tomou conta de todos os meios e veículos de comunicação. Prestes a realizar uma maratona de 50 shows pela Inglaterra, e já ensaiando as coreografias dessas apresentações, a morte do ídolo pegou todos de surpresa. As vendas de seus álbuns dispararam no reino unido, deixando 14 de seus trabalhos entre a lista dos 20 mais vendidos. As visualizações de seus vídeos no YOUTUBE bateram recordes. Michael Jackson se foi, mas deixou vivo o mito pop.

 

II

 

Michael Jackson sempre foi envolvido com causas beneficentes. Em janeiro de 1985 ele, junto com o cantor americano e amigo Lionel Richie, escreveram a canção We are the world, que foi gravada por uma reunião de artistas que ficou conhecida como Band Aid. Esse single arrecadou cerca de 55 milhões de dólares para o fundo USA for África, ajudando milhares de famílias no continente africano. A campanha desencadeou vários outras, nesse mesmo formato, pelo mundo todo. No Brasil, uma dessas campanhas ficou conhecida como Nordeste Já.
No Parque São José, bairro pobre de Fortaleza (CE), inspirado no ídolo pop, o cearense Gleidson Rodrigues, conhecido na região como Michael Jackson Cover, formou o grupo de dança Dangerous, que reuni jovens entre 12 e 22 anos. Dentro de um minúsculo apartamento eles ensaiam as coreografias dos vídeos de Michael. O que chama a atenção na liderança de Gleidson é a exigência que ele faz aos jovens, para que possam continuar participando desse grupo: freqüentar e tirar boas notas na escola; e deixa bem claro que o grupo não garante futuro a ninguém. Mais do que passos ensaiados, Glaidson mostra a esses jovens a importância que é educar-se, e ajuda o país a formar cidadãos. Michael Jackson influenciou pessoas não só com a música, mas também com suas atitudes filantrópicas; e Gladison, com a música e a dança de Jackson, ajuda o Brasil a dar passos na direção correta.

 

III

 

Dizem que é melhor ouvir “certas coisas” (merda) do que ser surdo. Mas ficar calado diante de certas “coisas” ditas, não dá. O congressista americano Peter King (rei só de sobrenome) fez um comentário, no mínimo infeliz, sobre a cobertura da morte de Michael. Disse que não entende o “por que” de tanta glorificação, já que, segundo sua opinião, o falecido era um “pervertido... molestador de crianças” – “ele tinha algum talento, era um bom cantor e fez algumas danças, mas você deixaria seu filho ou seu neto com ele?” – palavras de Peter King.
Bem, vamos a uma rápida história: A MTV (Music Television) foi pela primeira vez ao ar em 01 de agosto de 1981, e logo a emissora virou uma febre entre os adolescentes estadunidenses, o que viria revolucionar a indústria musical. Em 1983 um fato inédito aconteceria. Depois do lançamento do álbum Thriller, o videoclipe do single “Billie Jean” estourou na audiência da emissora, fazendo de Michael Jackson o primeiro artista negro a aparecer na MTV. O álbum além de firmar Michael como ícone pop, difundiu mais ainda a cultura negra no segregado país norte americano. Vinte e cinco anos depois dessa barreira cultural rompida, os americanos quebrariam uma barreira maior ainda, elegendo o primeiro presidente negro da maior potência econômica do mundo, Barack Obama.
O que Michael Jackson fez com seu moonwalker, Peter King não fez, e nunca fará, com seu cargo congressista. As palavras do político não passaram de um infeliz comentário de tom racista.

 

IV

 

Ver os vídeos dos Jackson Five, com Michael ainda criança, é uma satisfação plena aos olhos e ouvidos. Numa atitude contemplativa, eles fixam atenção sobre a alegria transmitida pelo menino, vendo-o cantar com tanta emoção e dançar com tanta energia.
É mais que notório que o Jackson pai obrigava os filhos a treinar exaustivamente, e a cada erro que acontecia, a surra já era algo esperado. Michael sempre falou que seu pai nunca deixava-o brincar com outras crianças... Talvez o sensível menino Michael tenha encontrado na arte (sua arte) uma forma de botar para fora toda a angústia contida dentro de seu ser. Ser que ao crescer não quis ser o que todos geralmente se tornam: adulto. Recusou-se.
Desfigurado pela paranóia, neuroticamente procurando reconhecer-se no espelho, mas nunca conseguindo, Michael se cortou e recortou fazendo dezenas de cirurgias plásticas. Em Neverland, o Michael de corpo adulto encontrava seu arquétipo dominante e, junto com outras crianças, fazia algazarras faraônicas, homéricas brincadeiras, tomou dionisíacos porres com coca-cola, transformava suas reprimidas vontades da sofrida e pobre não-infância em realidade, lá na terra do nunca, onde o patriarcal opressor “não” não existia. A mudança de tom da sua pele foi algo simplesmente fantástico! Ele foi o único ser humano na face, e na história, do planeta Terra que mudou de cor! Triste. Não obteve resultado algum. Agrediu o corpo, agrediu a raça, agrediu-se... Para nada. Continuou sendo o que não queria, e longe de ser o que desejava. Sua morte foi pré-matura, mas não por ter morrido aos 50 anos, e sim por que Michael já nasceu morto. Michael nunca foi criança... Nunca foi adulto... Nunca foi Michael Joseph Jackson. Michael sempre foi mito, sempre foi Michael Jackson!

 

V

 

Com o estádio lotado, e escoltado pelos irmãos, o caixão de bronze e ouro, ornado de flores entrou silenciando a todos. A tampa lacrada deixava uma dúvida no ar: será que o corpo está lá dentro? Essa certa dúvida logo se desfez quando a cerimônia começou, pois, mesmo o amortalhado corpo selado em urna fúnebre, Michael nunca foi corpo. Sempre foi alma. Seria impossível cantar daquele jeito, aos oito anos, sendo um corpo. Michael mito estava em todos os lugares, não caberia nunca dentro dum caixão.


VI

 

Através da TV o mundo atentava com lacrimosos olhares ao rito:
Como numa cerimônia nordestina, os pares formaram-se alvoroçados, o sanfoneiro entrou no palco, abriu a garrafa de caninha “da braba” com a boca, cuspiu a rolha, encheu o copo americano e, em homenagem ao defunto, virou sem engasgo. Bateu no púlpito, limpou os lábios na manga da camisa e disse:

 

- O show não pode parar!

 

E a sanfona comeu solto a noite toda.

 

Pra ver: 

IN MEMORIAN

 

Download - álbuns pra ouvir:

Jackson Five (melhores)

Off The Wall

Thriller


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Nós

Quando palavras não ajustam, silenciemo-nos, deixemos os corpos entenderem-se... Apenas toques; afagos. Ouvidos bobos embriagam-se de adocicados sussurros ameigados... Casta criança correndo em campo vivo: mão que desliza malícia leve sobre arrepiada cálida pele; amorenado manto quente. Língua atrevida moça, caminha audaz na molhada boca; lábio carne. O instante agora: perfeito. Não precisamos das palavras. Somos um: almas amantes. Quando as bocas emudecem, deixem, que os corpos falam.


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Quinta-feira, 16 de Julho de 2009
Peças Desenblogue

Estas peças estão no Desenblogue. Por favor votem nelas, quem sabe elas irão para o Desencannes!

 

É só clicar nos títulos. Valeu!

Chapolin

 

 

SUPLEMEN!

 

 

Lacta

 

 

Mais uma política

 


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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
Frio

Num salto olímpico levantei da cama, por volta das quatro da manhã. Acendi a luz, com pouco fôlego: coração disparado, corpo formigando, tremedeira, tom amarelado, boca seca... A sufocante sensação era horrível. Acordei o mais próximo, pedindo ajuda. Todos na casa acordaram. Rápido, levaram-me ao hospital. Levei comigo uma garrafinha d’água, para manter a garganta úmida. Fui quieto, suportando a pressão no peito. Chegamos pouco mais das cinco. Só havia eu de paciente (então não havia fila, nem público). O segurança orientou-me para que fizesse a ficha de atendimento. Acordei o funcionário do guichê, passei meu RG e outros dados. Fui até o Pronto Socorro, sentei-me num banco de madeira morta, esperei. Naquela madrugada fazia muito frio, fiquei encolhido bebericando minha água. Segurava a garrafa como se fosse à mão de alguém que me ajudava, que mantinha-me vivo. Não havia ninguém pronto em socorro para atender-me. O médico de plantão estava cuidando dum que chegou todo estropiado no carro do resgate. Pobre infeliz. Teve a “beira da morte” como vantagem.
O corredor em que eu aguardava estava limpissimo, um brinco. As paredes pintadas recentemente davam um ar de “novo” ao local. O silêncio, quase absoluto, foi quebrado pelos gritos duma senhora que chegou urrando de dor. Acomodaram-na perto de mim, mas ela não parava em nenhuma posição, só contorcia-se e chorava. Os gemidos dela entraram ríspidos pelos meus ouvidos, misturaram-se a minha agonia, e passaram a ser meus também. Compartilhávamos o sofrimento, pois no local não havia uma alma penada que escutasse nossas suplicas. Os poucos funcionários ali de plantão, passavam indiferentes ao que acontecia. De repente senti tudo frio: o glacial tempo, a luz refletida no fleumático brilhoso chão, colaboradores insípidos... O arrefecido Eu calou-se. Para cuidar da calorosa condição humana é preciso ser uma pessoa fria... Ser gélido. Não há espaço para a compaixão, ninguém recebe soldo para ser complacente. Bondade não é ofício. O descaso impera no templo do auxílio público. O estado é crítico; a massa é surrada; e a alma do servidor é de pedra. A senhora ao meu lado parece que ouviu meus pensamentos, e acabou vomitando de indignação. Expeliu queixume. Um balde velho, utilizado como cesto de lixo, amparou-a, servindo-lhe como amigo.
Nunca me senti tão só. Se eu fosse um saco de coisa qualquer jogado no chão, alguém viria me apanhar e colocar-me no lugar certo. Mas sou gente, e o frio me tornava invisível. Meu coração apertou mais, e num ato solitário de auto-socorro, derramei uma lágrima. Ela escorreu quente no meu tremulo rosto, até tocar em meus lábios. O sal quebrou a insipidez incomoda daquele começo de dia. Não quis mais estar ali, levantei-me e segui em direção a saída. Quando passei pela porta, o segurança olhou-me e perguntou se eu não iria aguardar mais um pouco; respondi-lhe que se só há defuntos no velório então não há velório. Segui em frente, voltei para casa. Queira descansar em paz, num lugar onde o frio fosse apenas uma sensação térmica.


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Alma leve

Leve alma leve
Leve-me pela mão
Leve alma leve-me
Pra longe da solidão


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Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
IN MEMORIAN

 

 

 Michael Joseph Jackson (1958 - 2009)

 

 

 


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Domingo, 5 de Julho de 2009
Goelabaixo

Estava sentado em minha mesa de trabalho, praticando meu ofício, como na maioria dos dias. Canetas, papéis, sistemas, minhas leais ferramentas serviam-me fielmente. O quadro negro, com inscrições quase rupestres, diziam-me o que fazer; como num plano militar: vencer o oponente era nosso objetivo. Soldados agitavam-se. Corriam para todos os lados, armados de formulários. O ataque não pode parar. Um vem em minha direção – bom dia – bate em minhas costas e segue. Havia algo errado, os pelotões murmuravam e olhavam-me diferente. Aqueles sorrisos não me agradavam. Continuei entrincheirado atento, com as armas em punho.
Enquanto passava os olhos num memorando, algo me chamou a atenção. Levantei a cabeça para ver o que era e tive uma visão horrenda: uma massa esverdeada, de olhar negro e fixo, vinha babando voraz em minha direção. A papada dele inflava e desinflava cadenciadamente, o que deixava aquela coisa escrota e amorfa mais avolumada. Sua pele parecia gelatinosa, gosmenta, uma carcaça que aparentemente fedia. Fiquei apreensivo. Suas patas ergueram-se em minha direção. Arregalei os olhos de medo, recuei o corpo. Elas agarraram meu pescoço. Seu toque era frio e pastoso. Começou a apertar-me, o que deixou-me sem ar. Abri a boca desesperado, emitindo um ruído de engasgo. O que eu mais temia aconteceu: aquela nojeira inumana começou a entrar na minha boca. Seu gosto era horrível, uma mistura de lama e mofo, um negócio azedo. Numa atitude desesperada, agarrei os braços da cadeira, mas ela não esboçou nenhuma ajuda. Nesse momento pensei em minha casa, o que não adiantou em nada, a sensação sufocante não passava. Fiquei sem reação, esperando que o final daquela cena medonha chegasse logo. Suas patas traseiras batiam em meu rosto, querendo, numa tentativa forçada, descer por minha garganta abaixo. E conseguiu. Tentei vomitar, mas não obtive sucesso. Senti-me um lixo, não podendo fazer nada. Forçosamente engoli aquela merda. Aos poucos fui recuperando o fôlego, cuspi um resto de barro embolorado. O silêncio que se fez na sala durante meu estupro foi cortante. Agora ele está alojado em meu estomago, e não posso fazer nada. Esse troço nunca será digerido e dói-me saber disso. Não conseguirei expeli-lo nem junto com meus excrementos. Para sempre estarei com aquilo.
Triste, voltei minha atenção à tela do computador. Atendi a algumas exigências burocráticas que a máquina pedia, continuei meu trabalho. Já conformado com o inevitável, esbocei um sorriso. Deu a hora do almoço, levantei-me e, junto com meus companheiros, segui para o rancho. A vida tem dessas coisas.

 


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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Pirataria

Pirataria. Na época do “bolachão” (o saudoso vinil) esse termo tinha outro significado: quando uma banda realizava algum show, e o mesmo era gravado, às vezes esse era lançado como um disco “pirata”, um álbum “não oficial”, lançado, mas não através da gravadora que essa mesma banda era contratada.
Hoje o termo pirataria tem outra conotação: copiar, vender, distribuir qualquer produto sem pagar os direitos autorais de marca, propriedade intelectual e de indústria. E é uma prática criminosa, prevista na Lei 10.695 de 01 de Julho de 2003. Roupas, relógios, CDs, DVDs, tudo o que você possa imaginar, hoje é copiado. Na China, nome que é quase um sinônimo de produto pirata, até carros são copiados, como mostra uma matéria feita pelo Portal Exame.
O mercado musical começou a sofrer com essa prática ilegal a partir do final da década de 80. Os lançamentos em K7 foram simplesmente dizimados pelas falsificações. Quase 100% das fitas vendidas no Brasil eram cópias ilegais.
Antigamente para um “artista” ganhar um disco de ouro ele tinha que vender cem mil cópias de um álbum. Devido ao comercio ilegal, esse número de cópias caiu para cinqüenta mil.
As grandes gravadoras reclamam e pressionam muito para que a pirataria seja contida. Mas será que as campanhas anti-pirataria são feitas (direcionadas) de maneira correta? Por exemplo: se você alugar um filme em DVD, vai ver uma campanha onde aparece um camelô dando balas de revolver como troco, a uma pessoa que acaba de comprar um produto falsificado. A campanha associa a pirataria ao crime organizado, o que não está errado, mas tratar o camelô, que não passa de mais um brasileiro fudido, como um mafioso!? Bem, isso mostra como são as coisas no Brasil: o peixe grande nunca é, e nunca será, pescado. As mídias de CD e DVD, quem as fabrica? Como elas entram em nosso país? Assim como os grandes traficantes nunca são pegos, os grandes esquemas nunca são denunciados, e quando são as investigações acabam em pizza, os grandes pirateiros continuarão navegando, à vontade, nos mais diversos mares mercadológicos.
Toda revolução tecnologia traz facilidades a nossa vida cotidiana. Da revolução industrial para cá, o homem vem desenvolvendo cada vez mais tecnologia, o que sempre causa perdas e ganhos nos mercados e na economia. Um grande exemplo disso é a própria pirataria.
Empresas (multinacionais) como Olivetti ou Remington, fabricantes de maquinas de escrever, simplesmente sumiram da noite para o dia, depois que os PCs foram popularizados. Acredito que as grandes gravadoras estão seguindo no mesmo caminho. Além da pirataria, agora eles tem outro grande inimigo: o download; estão fazendo de tudo para que esse seja considerado uma prática ilegal. No reino unido o governo está preparando um projeto de lei para que, quando algum usuário baixar um arquivo de música ou filme, o provedor, como forma de penalizá-lo, desconecte-o da internet. Acredito que estão tentando frear um futuro que será inevitável: o fim das gravadoras.
Antigamente uma banda, para mostrar seu trabalho a um grande público, tinha que gravar uma fita demo, bater de porta em porta atrás de uma gravadora que o acolhesse e o lançasse. Caso essa banda fosse um produto fácil para se vender, a gravadora a contrataria na hora. Hoje o quadro é bem diferente. Qualquer um pode adquirir um programa de gravação, plugar seu instrumento ao PC e gravar uma música. Com uma simples câmera digital, e um programa de edição de vídeo, baixado de graça, é possível produzir um videoclipe e exibi-lo em diversos sites, como o YouTube. Atualmente essa independência proporcionada pela tecnologia, produziu um fenômeno pop: a garota prodígio Malu Magalhães. Imaginem se essa menina fosse pegar seu violão, mostrar sua folk music para as gravadoras a fim de lançar um álbum. Qual a resposta que ela receberia? Acredito que um sonoro NÃO. Sozinha ela consegui atingir um altíssimo público, e tudo através da net. Parabéns menina.
O download possibilitou que álbuns ou filmes já fora de catálogo pudessem ser facilmente adquiridos, garantindo assim a sobrevivência da vida musical de muitos, que há tempos caíram no esquecimento. Artistas que nunca seriam ouvidos por um grande público, agora tem como divulgar seu trabalho. E sem precisar do aval de um produtor ou, pior, de um diretor de gravadora.
Comparar o download com a pirataria é ridículo. Baixar um arquivo para uso próprio não pode ser considerado crime, assim como, antigamente, pegar um disco emprestado e gravá-lo em K7 nunca foi uma prática mal vista. A Inglaterra, que se diz ser um país desenvolvido, esta dando um passo para trás com essa nova lei.
Não adianta, o mercado fonográfico mudou graças ao advento tecnológico, e as gravadoras não estão acompanhando essa evolução e, pior, estão tentando frear algo que não tem como parar. O download veio para ficar.
Adeus, grandes gravadoras!

 

 

 

Clique e leia:

Manifesto Movimento Música para Baixar

 

http://musicaparabaixar.org.br/


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Meu mico

Olha só o que a equação cerveja+violão+câmera resulta:

 

The Killing Moon - Echo and the Bunnyman (25/12/07)

 

 


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Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Salve Sol amigo meu

Salve Sol amigo meu
Que com calor banha a menina
Na pele evoca a melanina
Dourando o corpo teu

 

Quando ela se levanta
E vai em direção ao mar
Seu gingado meus olhos encanta
Fico louco à acompanhar

 

Seu corpo, a água vai abraçar
As ondas, as pernas vão lamber
Com inveja, eu na areia vou ficar
E o coração, acelerado a bater

 

A volta é uma cena bela
De cabelos molhados: lá vem ela
Com sorriso nos lábios: lá vem ela

 

Repousa na esteira: flor leve
Espalha o protetor: flor pele
Deita-se esplendor: flor breve

 

Pouca coisa faz o homem feliz
Em agradecimento ao que ocorreu
Emocionado digo ao céu: “valeu!”
Musa como essa eu sempre quis
Mas a sorte ainda não me deu

 

Contemplando outra que passa
Seu rebolado me faz graça
De mulher, a beleza se disfarça

 

Até que aconteceu:
De repente, a alegria em mim alvoreceu
Bradando, como alguém que arranca a mordaça
Gritei: “Salve Sol amigo meu!”


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Domingo, 28 de Junho de 2009
Aos meus anjos dourados

Perdido num vale escuro
Onde o que se olha é miragem
“O que será que há após o muro?”
Pois dali só via sombra, não imagem


Desencorajado e acorrentado
Levantar e ir além já não podia
Mas os anjos, vendo o pobre coitado
Aos ouvidos lhe sopravam:
“Desespera a alegria”


Contaminado de euforia
Saiu em busca do saber
No caminho, conheceu Filosofia
E ao invés de olhar, aprendeu a ver


Viu que seu trabalho era alienado
Sua farra, Dionisíaca
O tempo: inventado
Mas algo estava errado!
E o amor que ele sentia?


Desconsolado, sentou-se e escreveu:
“Anjo, o que faço com o amor meu?”
Sem demora, em resposta recebeu:
“Emprega-o todo, em algo teu!”


Encorajado, ao anjo obedeceu
Passou a escrever noite e dia
Para atingir a maestria
Bebeu, fartou-se, em fontes a reveria

Agora sabia o que queria!


Seguiu errante pela escrita
Devorou tudo que lhe apareceu
E em seu árduo caminho logo conheceu
A doce e amante Poesia
Que em seus braços o acolheu...


Hoje ele escreve aos montes
Tudo lhe inspira: mares
Lugares, olhares, Mulheres
Quer ir além dos horizontes.

 

Toda essa história aconteceu
Graças ao incentivo dado
Por um anjo dourado
E grato lhe digo: obrigado!


Cavalheiro que sou
Agradeço também a outro anjo
Que aqui pousou
E rápido me encantou


Sem ser exagerado
Sei que de vocês a beleza emana
Muito obrigado, meus anjos alados
De cachos dourados
Taísa e Tatiana.


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Sábado, 27 de Junho de 2009
Centésimo post

Numas das minhas tardes de desemprego, em meados do ano de 2008, escrevi, de maneira totalmente despretensiosa, um texto falando sobre fetichismo, hiper-realidade, alienação, reificação, e outros assuntos filosóficos que caminham nessa mesma linha, ao qual intitulei de Ligadas Pelo Desejo (de consumo). Esse foi entregue na faculdade como atividade para a disciplina de filosofia (claro!). Entreguei-o sem esperar nada além da nota necessária para ser aprovado.
Num posterior dia recebi um e-mail da professora dizendo que o texto estava extra-ordinário, e pedindo autorização para lê-lo em sala! Fiquei surpreso com o pedido, pois não via nada de mais em minhas palavras. Agradeci o lisonjeio e autorizei mais do que depressa a leitura.
Fui para a faculdade e quando adentrei a sala simplesmente todos os alunos (uns 60, acho) olharam para mim. Minha visão foi à seguinte: uma mulher linda, de pele clara e cachos dourados, lia, com um sorriso enorme e sincero no delicado rosto, meu texto para sala que, parte prestava atenção, parte ria, parte cagava e anda. Quando a leitura terminou fui meio que ovacionado. A professora mais uma vez elogiou, e disse que eu deveria escrever mais, pois (segundo seu entendimento) eu fazia isso muito bem. Também disse que o texto foi lido em outras salas do curso de comunicação social.
Passado algum tempo recebo outro e-mail dela, pedindo uma cópia do texto e perguntando quando que eu iria fazer um blog. Bem, isso nem me passava pela cabeça, nem sabia como fazê-lo. Resumindo: resolvi fazer um e comecei publicando algumas coisas que já estavam prontas e foram entregues como atividades acadêmicas. Algumas cartas que escrevi por ai também resolvi publicar. Depois que o estoque acabou decidi escrever algo sem ter nenhuma obrigação. Simplesmente sentar e escrever, qualquer coisa. É engraçado, às vezes precisamos de alguém próximo para dizer-nos que somos bons em coisas que não damos tanta importância. O que não era nada antes, hoje é um vício. Agora, depois de escrever contos, poemas, letras de música, crônicas e uma série de outras coisas, publico meu centésimo post em agradecimento a você Profª Tatiana. 

 

Quem sabe um dia eu escreva um livro...

 

Obrigado pelo incentivo.


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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Vitória - Parte II

"Queria só a felicidade da simples companhia sua ao sofá, vendo um filme qualquer... A espera pelo, no final da tarde, tocar de sua mão num comum passeio, me sufoca... O tempo inventado é meu presente inimigo: protela nosso consumir de olhares, adia a morte da sede minha pelo beijo teu... A ti dou-me, amor."

 

Carta de Vitória à Carlos.

 

Parte I


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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Mãe só

Deixem a Mãe só
Com a solidão que faz bem
Eu também sinto dó
Mas só, crescemos além


Quem saiba Ela escolha enxergar?
Quem saiba Ela escolha ler?
Quem saiba Ela escolha dançar?
Quem saiba Ela escolha Ser?


Quem saiba Ela escolha amar?
Ser esposa, já escolheu
Ter outras coisas, Ela pode tentar
Pois filhos já tem, como eu


Deixar a Mãe só, sei que ninguém quer
Não tenham medo Dela descobrir-se
Deixe-a livre, destituir-se
Porque que só assim, a Mãe só, pode ser Mulher!


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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Um dia de fúria

Texto escrito em 14/03/08.

Ele era uma pessoa normal, de modos simples como a maioria, mas um dia... o trânsito, desemprego, a desigualdade social, fome, miséria, enchentes, credores, poluição, aquecimento global, animais em extinção, desmatamento da Amazônia, gripe do frango, doença da vaca louca, crise aérea, mensalão, dólar na cueca, assaltos, roubos, assassinatos, furtos, desaparecimentos, seqüestros, cartões corporativos, nacionalização da petrobras na Bolívia, tráfico de drogas, capitalistas insanos, chefes idiotas, metas impossíveis de serem alcançadas, montadoras e montadores, falta de educação, evasão escolar, evasão fiscal, analfabetismo, propinas, lobby, interesseiros, aproveitadores, clientes chatos, colaboradores mais chatos ainda, cólera, dengue, carie, tosses, virose, enfarto, stress, dores de cabeça, de coluna, frieiras, doenças diversas, guerra no Iraque, na palestina, guerra nuclear, guerra fria, quente, morna, requentada no banho-maria, jogo de interesses, futebol corrupto, política corrupta, geopolítica, pessoas corrompidas por nada, prostituidas, mentiras, falsidade, sonhos vendidos, desilusões, desamores, dissabores, desgasto físico, mental, loucura, MPB, new metal, funky carioca, axé, soda cáustica misturada no leite, metanol misturado na pinga, crise do caqui, acidentes de carro, de moto, de trabalho, de percurso, rádio, televisão, big brothers, programas dominicais, segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados, carnavais, feriados, ônibus cheio, metrô cheio, lotação cheia, ruas cheias, saco cheio, impaciência, intolerância, imprudência, burocracia, overdose, overpoint, ovo podre, carne podre, comida vencida, remédio vencido, pão por kilo, gasolina, álcool, diesel, biodiesel, biotecnologia, nanotecnologia, transgênicos, frituras, gordura-trans, Windows, Apple, Linux, chineses, russos, indianos, migrantes, imigrantes, xenófobos, homofóbicos, anti-semitismo, orgulhosos, ideologias, democracia, aristocracia, monarquia, autoritarismo, governo militar, ditadura, dentadura, sem dente nenhum, sem comida pra usar os dentes, sem lenço, sem documento, sem lança, sem loló pra deixa lelé, tédio, rotina, tempo que passa rápido, tempo que demora a passar, mesmice, caretice, moderninhos, mauricinhos, patricinhas, promoções, aumentos, superávit, déficit, dívida pública, dívida privada, PPPs, privatização, estatização, sem terra, sem teto, sem faculdade, sem porra nenhuma, e mais uma série de coisas que não lembro... tudo isso ainda não o fez perder a cabeça.
Mas a gota d'água foi a cerveja quente servida no boteco! Ai ele não suportou!

 

 

Corra agora! Em breve num cinema bem perto de você.


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Publicado por Mundo ID às 04:24
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Revista FALA AÍ

Para você, o que é cultura?

 

 

 

Clique aqui e leia a revista.

 


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Publicado por Mundo ID às 21:34
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